Um casamento adiado, as férias na praia canceladas, a procura por emprego interrompida, o Réveillon imobilizado em uma maca hospitalar. O mais violento feriadão de Natal da década não apenas matou pelo menos 37 pessoas no trânsito. Espalhou, por centenas de lares no Estado, infortúnios praticamente ignorados tamanha a perplexidade que a chacina nas estradas provoca entre os gaúchos.

Os sobreviventes da selvageria do trânsito sofrem com feridas quase tão dolorosas como as lesões e os hematomas, provocadas pela necessidade de suspender planos, prorrogar projetos, interromper anseios — as mesmas aflições que ameaçam voltar a lotar os hospitais neste feriadão.