Especialista em trânsito afirma que sugestões de leitores da Gazeta do Povo poderiam resolver os problemas da entrada à rodovia pelo quilômetro 82

Especialistas de trânsito e moradores do bairro Cajuru concordam que o fechamento do acesso à BR-277 pelo quilômetro 82 seria prejudicial aos cidadãos de Curitiba. E, mais do que isso, algumas das iniciativas sugeridas pelos leitores da Gazeta do Povo funcionariam na rodovia que liga a capital ao litoral do Paraná, trecho administrado pela concessionária Ecovia.

Uma das principais sugestões é a diminuição de velocidade de 80 km/h para 60 km/h nas proximidades de Curitiba, assim como ocorre em trechos dos dois sentidos da BR-116, com lombadas limitadoras de velocidade. “A fiscalização eletrônica pode ser feita em qualquer lugar do Brasil. Não há impedimentos por se tratar de uma rodovia com pedágio. Porém, essas instalações necessitam de processos licitatórios”, explica Marcelo Araújo, advogado especialista em trânsito e professor do Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba).

Segundo Araújo, uma das medidas mais simples e com melhores resultados é a implantação de placas, que regulamentem os limites da via no trecho em 60 km/h. “O que determina o limite de velocidade é a placa. Desde que haja uma sinalização clara, a mudança é simples”, afirma. “E o controle poderia ser realizado pela Polícia Rodoviária Federal”, completa.

A Ecovia informa que a alta velocidade não é o problema do acesso. Estudos realizados pela empresa mostram que a média dos veículos no local não ultrapassa 48 km/h. No entanto, a reportagem esteve ontem no trecho e percebeu que os veículos oriundos da BR-277 trafegam em um patamar de velocidade superior aos 60 km/h.

Em último caso, a colocação de um semáforo na entrada não é descartada, como acontece na BR-476, no trevo próximo à Pontifícia Universidade Católica (PUC). “Quando não se encontra outra solução de engenharia, parte-se para o semáforo”, esclarece Araújo. A concessionária argumenta que, antes da concessão, havia um semáforo na região, que ocasionava colisões traseiras e congestionamentos.

Imbróglio

Uma liminar da 2ª Vara da Fazenda Pública impediu o bloqueio do acesso, programado para ontem. A Ecovia informou que vai recorrer da sentença no prazo de dez dias.

Tentando manter o funcionamento do acesso, a prefeitura de Curitiba, recentemente, enviou um documento à Ecovia com duas medidas que diminuiriam o risco de ocorrências. A primeira é a ampliação da extensão da faixa de aceleração dos 40 metros atuais para 70. E a segunda sinaliza para uma redução da velocidade, numa tentativa de transformar a BR-277 em uma Rodovia Metropolitana, como a Avenida Comendador Franco (a popular Avenida das Torres).

A Ecovia argumenta que é impossível aumentar a faixa de aceleração pela presença de outro acesso da rodovia para o bairro 200 metros à frente. A ampliação, segundo a empresa, criaria novo problema de segurança.

Manifesto

Na manhã de ontem, moradores estiveram no local comemorando a manutenção do acesso, com a organização de um abaixo-assinado. “Fizemos um manifesto mais pacífico para colher assinaturas pela permanência do acesso. Só hoje pela manhã conseguimos mil assinaturas”, afirma Rubens Messias, comerciante e morador do Cajuru. O objetivo do grupo é obter mais 4 mil assinaturas para procurar a Justiça e reforçar o movimento em prol do acesso.


Queda-de-braço
Saiba o que cada um dos lados envolvidos na polêmica – prefeitura de Curitiba, Ecovia e moradores – defende:

O que diz a prefeitura

– Defende a manutenção do acesso pelo quilômetro 82. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, a entrada pelo quilômetro 83, sugerida pela Ecovia, é ainda mais perigosa, contabilizando 36 acidentes. O fechamento também implicaria prejuízo de R$ 40 mil mensais pelo aumento da quilometragem dos ônibus do transporte coletivo.

O que diz a Ecovia

– Afirma que o trecho é perigoso, resultando em abalroamentos transversais (quando um veículo colide com a lateral do outro). Conforme os dados da empresa, as ocorrências no local dobraram enquanto o acesso esteve aberto, entre janeiro e maio deste ano.

O que dizem os moradores

– Alegam que a Ecovia pretende diminuir o movimento de veículos que não pagam a taxa de pedágio, caso dos habitantes do Cajuru e Jardim das Américas. Eles ainda reclamam que o caminho sugerido pela empresa, além de mais longo, não oferece a estrutura necessária.