Nem guerras, nem conflitos armados: são os acidentes de trânsito os responsáveis pelo maior número de mortes violentas no mundo. Segundo levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,2 milhão de pessoas morreram nessas circunstâncias só no ano de 2000 – mais que o dobro do número de assassinatos registrados no mesmo período.

No Brasil, as estatísticas são alarmantes. O aumento significativo da frota brasileira na última década, aliado à imprudência de motoristas e pedestres, colocou o Brasil no quarto lugar do ranking mundial de acidentes de trânsito. Em 2001, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) registrou 394.596 acidentes com vítimas. Em média, mais de 30 mil pessoas morrem todos os anos nas vias ou estradas nacionais. São mais de 80 brasileiros por dia ou a lamentável marca de uma morte a cada 18 minutos.

Esta proporção faz com que os acidentes no trânsito sejam responsáveis pelo maior número de internações hospitalares entre as causas externas (provocadas). Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), de 1998, no quadro geral de óbitos, eles ocupam o terceiro lugar nas causas não violentas, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e câncer.

Perdas humanas – Pesquisa da Rede Sarah nos hospitais de Salvador e Brasília constatou que os acidentes de trânsito provocaram 38,5% das internações nas duas unidades, em 1999. As vítimas são predominantemente homens, jovens e adultos, solteiros e com escolaridade até o ensino fundamental. O predomínio do sexo masculino entre as vítimas é uma característica expressiva desse tipo de acidente. A média nacional é de sete homens para cada três mulheres feridas. Em 1998, 73,2% do total de vítimas de acidente de trânsito no Brasil eram do sexo masculino.

Também se constatou que os ferimentos mais graves ocorrem com os motociclistas. Quase metade de todas as lesões neurológicas registradas (46,2%) foi em acidentes envolvendo motocicletas. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) também mostra a maior vulnerabilidade dos que dirigem motos. Enquanto entre os automóveis acidentados a proporção de vítimas fica entre 6% e 7%, entre as motocicletas este número varia entre 61% e 82%.

Pedestre em perigo – Em situação ainda mais frágil se encontra quem não está motorizado. O atropelamento de pedestre ou ciclistas é o que provoca maior número de mortes: cerca de 40%. Nas grandes capitais a situação é mais grave. Em São Paulo, segundo dados do Denatran, esse percentual alcançou 60%, em 1997.

A pesquisa da Rede Sarah confirmou que a maioria absoluta nos atropelamentos ocorre em perímetros urbanos (83%). Preocupante notar foi que 16,9% das pessoas foram atingidas em área exclusivamente para pedestres.

Perdas econômicas – Além da dor da perda e dos traumas familiares e sociais, os acidentes causam prejuízos da ordem de R$ 10 bilhões por ano – mais de três vezes o que o Brasil investiu em Ciência e Tecnologia em 2001. Somente nas áreas urbanas são gastos R$ 5,3 bilhões por ano, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizado entre 2000 e 2002, com valores atualizados para abril deste ano. Apenas a perda de produção de trabalhadores, por motivo de acidentes, representa 42,8% desse total nos centros urbanos.

A pesquisa do Ipea calculou que um acidente de trânsito tem um custo médio de R$ 8.782, considerando todos os tipos de ocorrências. No caso de acidentes com vítimas, o valor médio sobe para R$ 35.136. Analisando pela gravidade, o estudo concluiu que um acidente com morte tem um custo médio de R$ 144.143.

Redução da violência – De 1961 a 2000, segundo estatísticas do Denatran, o número de feridos no trânsito multiplicou-se por 15 e o de mortos, por seis. Apesar de impressionantes, os índices brasileiros só não são maiores graças às medidas adotadas nos anos 90, como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e o controle eletrônico de velocidade nas vias urbanas, e à implantação do Novo Código de Trânsito, ocorrida em 1998.

Após uma longa discussão envolvendo Estado e sociedade, chegou-se à proposta que trouxe inovações muito importantes, envolvendo a reorganização institucional nos níveis federal, estadual e municipal e, principalmente, a assimilação dos novos conceitos pela sociedade, mediante a difusão da moderna legislação de trânsito brasileira e a realização de campanhas educativas.

Nesse sentido, o governo – por meio dos ministérios integrantes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran): Transportes, Saúde, Cidades, Educação, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Defesa – promove anualmente a Semana Nacional de Trânsito, de 18 a 25 de setembro. Este evento anual é obrigatório para todos os 1.300 órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Trânsito, que devem criar eventos e promover campanhas educativas. Em todo o país, uma ampla programação de eventos estará sendo realizada entre os dias 18 e 25.

O tema da Semana Nacional de Trânsito deste ano é “Dê preferência à vida” e faz referência aos principais fatores de risco no trânsito, como consumo de álcool, excesso de velocidade, falta de uso do cinto de segurança, desatenção na travessia de pedestre e ultrapassagens perigosas em estradas, entre outros.

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