Veículos que transportam cana têm 30 metros e pesam até 74 toneladas. Rodovias paulistas não estão preparadas para suportar tanto peso.

Época da colheita nos canaviais e os motoristas do interior paulista já sabem: vão encontrar pelo caminho os caminhões carregados com cana. “A gente fica atrás e tem que esperar para ultrapassar”, diz uma motorista.

Para abastecer as usinas que funcionam 24 horas por dia, o transporte é feito em carretas e caminhões que puxam até três reboques. São os chamados treminhões .

Eles têm 30 metros de comprimento e capacidade para carregar até 74 toneladas de cana. Não há asfalto que resista a tanto peso, ainda mais quando os motoristas descumprem a lei e transportam carga além do limite de peso permitido.

Basta uma volta pelas estradas para flagrar situações de perigo: a cana quase escapa pelas laterais. E em vários outros caminhões articulados o excesso de carga também é visível.

A cana vai ficando pelo caminho, já desgastado pelo trânsito diário dos caminhões pesados. Nas cidades pequenas, que ficam no meio do trajeto entre canaviais e usinas, eles são um transtorno para os moradores.

No município de Elisiário, a 397 km de São Paulo, o problema não é só o barulho. As rachaduras nas paredes das casas são o resultado da trepidação causada pelos veículos. “Quanto eu estou na cozinha eu sinto o chão tremer”, diz uma moradora.

Em Tanabi, a 477 km da capital, um ‘treminhão’ arrancou um poste. A cidade ficou sem luz nem telefone. Reclamação e também perigo. À noite, os treminhões ameaçam a segurança nas estradas. Flagramos um deles com as luzes traseiras queimadas.

Os acidentes também são freqüentes. Só este ano em São Paulo foram 1250 acidentes com caminhões carregados com cana. O excesso de carga pode até fazer o caminhão tombar.

“As rodovias não foram preparadas para este tipo de composição. Existe uma necessidade de revisão e reconfiguração no sistema de trânsito brasileiro”, explica Walter Gianini, consultor em transportes.