Estradas esburacadas, grandes aclives e escassez de pontos de apoio. De acordo com o presidente do Sindicato Empresas de Transporte de Cargas na Paraíba, Arlan Rodrigues, este é o tripé dos altos registros de violência nas rodovias paraibanas e complicam a vida de quem trabalha no setor. O problema trouxe um prejuízo ao setor que chegou a R$ 1 bilhão no ano passado e este ano deve seguir o mesmo caminho.

O problema é recorrente em todo o Brasil e segundo Rodrigues, o quadro não é melhor nem pior na Paraíba, mas proporcional a quantidade de bens transportados em cada rodovia. No estado há dois pontos críticos que tem tirado o sono de quem tem carga circulando pelas redondezas: Catolé do Rocha e Santa Luzia que são áreas fronteiriças de grande movimentação.

“Áreas próximas a fronteiras são sempre problemáticas, na Paraíba, especialmente nessas duas cidades. A polícia em geral tem solucionado os casos, mas o ideal seria que fosse possível prevenir”, avalia Rodrigues.
Consequentemente um dos fatores que mais tem encarecido o transporte de carga no Brasil são os gastos com segurança (que acabam afetando o bolso do consumidor final, afinal alguém tem que assumir o prejuízo). E é aí que as empresas de rastreamento pegam carona e as seguradas impõem mais restrições e aumenta o valor dos seguros.

“O gasto com rastreamento de cargas é diretamente proporcional ao descuido do poder público quanto a segurança das estradas. As seguradoras também impõem cada vez mais restrições. Elas pagam, mas quanto mais ocorrências se registram em determinados trechos, mais caro fica”, analisa.

A única solução seria melhorar a infra-estrutura. Estadas esburacadas e mal-iluminadas obrigam os caminhões a reduzirem mais a velocidade do que seria aconselhável. “Segurança envolve infra-estrutura. Na Europa, por exemplo, existem mais postos de atendimento, as estradas tem menos curvas e quase não há subidas, pois em geral são feitos túneis”, compara. “Fazemos medidas paliativas , mas soluções definitivas são de responsabilidade do poder público”, conclui.