O final de ano de festas de 2008 tem sido mais violento do que de 2007 pelas estradas baianas. No período de recesso natalino, de 24 a 28 de dezembro, o número de acidentes subiu de 132 para 152, acréscimo de 15,15%, em comparação ao ano passado, quando o recesso foi de 22 a 25 de dezembro.

Houve uma morte a mais: 13 pessoas morreram. A violência foi ainda maior quando consideradas apenas as estradas estaduais. O número de óbitos aumentou 133,3%, saindo de três em 2007 para sete acidentes fatais em 2008. E os acidentes com feridos graves cresceram 500%, de dois para 12 sinistros. Nas federais, o número de mortes caiu: desceu de nove para seis óbitos.

A Polícia Rodoviária Estadual, em nota enviada à imprensa, lamentou os números e imputou ao motorista o crescimento da violência das estradas, devido ao elevado número de infrações graves. A imprudência ao volante também é apontada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) como a grande vilã. Segundo o inspetor Adirlei Hiroshi, superintendente interino da PRF na Bahia, a maioria dos acidentes acontece à luz do dia, em pista seca e em retas, ou seja, em boas condições de tráfego.

“Peço que os motoristas que respeitem os sinais de trânsito, não excedam o limite de velocidade e não ultrapassem na faixa contínua”, enumerou o superintendente. Segundo estimativa de Hiroshi, estes três pontos são responsáveis por 80% dos acidentes no período de final de ano. Segundo ele, 600 policiais estarão trabalhando no recesso de Ano Novo. A operação começou no domingo, 28, e segue até o dia 4 de janeiro.

PERIGO – Por milagre, o pastor Roberto Bispo, 48 anos, não foi nesta segunda-feira, 29, o segundo motorista, em menos de 24 horas, a perder a vida no trecho entre os quilômetros 600 e 602 da BR-324. O taxista Jafé Santos de Souza, 25, não teve a mesma sorte, e faleceu no domingo no mesmo ponto da estrada que até o primeiro semestre de 2008 já vitimou com mortes 32 pessoas – a PRF ainda não fechou os dados totais do ano.

Os dois saíram da pista sentido Feira de Santana, atravessaram o canteiro central e pararam do outro lado da rodovia. Segundo Joel Santos de Souza, 40, seu irmão, Jafé, dormiu ao volante em alta velocidade. Já Roberto teve que desviar de dois carros cujos motoristas pararam no meio da pista para discutir.

A BR-324 é a terceira rodovia federal que mais mata na Bahia, segundo dados da PRF. E lidera o ranking do número de acidentes, seguida da BR-101 e da BR-116. Já o maior número de acidentes fatais acontece na BR-101, com a BR-116 e a BR-324 na seqüência. No primeiro semestre deste ano, 253 pessoas perderam a vida nas três rodovias. Representa 76% do total de 332 mortes no mesmo período em todas as estradas federais do Estado.

CRESCENTE – O quadro geral não é animador. Segundo Hiroshi, crescem os acidentes nas rodovias federais baianas. De 2004 até 2008, eles subiram em média 10% a cada ano. As BRs são consideradas perigosas pela falta de infra-estrutura e pelo grande fluxo de veículos de carga pesada.