Motocicleta é paixão que passa de mãe para filha

Postado dia 23/10/2017 | Tags:, , , , , , , , | 0 comentário

Kátia Perelberg é jornalista e desde os 18 anos pilota motocicletas. Já são 36 anos e muitas motos e viagens pelo caminho. Quando soubemos sua história pedimos que contasse um pouco de como foi esse pioneirismo e ela gentilmente preparou o artigo abaixo. Vale a pena conhecer a trajetória dessa motociclista que passa sua paixão de mãe para filha.

Pioneirismo no motociclismo do Rio de Janeiro

A minha paixão pelo motociclismo começou na adolescência, aos 13 anos, quando eu burlava o olhar dos meus pais para dar umas voltinhas nas motos dos amigos. Lembro de uma Yamaha 100cc e uma Suzuki RV 90cc Rover, que pegava emprestadas de amiguinhos e rodava pela Fazenda Inglesa, na estrada de Petrópolis.

Aos 18 aprendi a pilotar com a perigosa viúva negra, uma Yamaha 350cc ano 1974 de um namorado do Hell’s Angels. A partir de então não parei mais. Minha primeira moto foi adquirida aos 20 anos, uma CB 400cc ano 1980, quando entrei para a redação do Jornal do Commercio. Em 8 meses passei para as 4 cilindros – uma Honda 500 four e depois a Nighthawk 650cc, que usava na cobertura de reportagens , em encontros pela cidade e em viagens.

Naquela época havia na Zona Sul quase não havia garotas de moto . A reação das pessoas era menos de reprovação do que surpresa e admiração; me paravam para conversar nos semáforos, aplaudiam, sorriam, fotografavam, enfim, era um acontecimento. Nas estradas, os caminhoneiros sempre me saudavam em suas boleias e jogavam o pisca para eu passar quando a situação permitia. Na cidade, os motoristas de ônibus também abriam o vidro para bater um papo rápido no trânsito.  E eu, claro, saudava e cumprimentava com entusiasmo. Afinal, estávamos falando a mesma língua.

Todas as minhas motos tinham ronco especial, eu participava dos encontros motociclísticos e dos motoclubes. Quem tinha moto naquela época invariavelmente se conhecia. Todo motociclista se cumprimentava ao cruzar a pista. Ter moto era muito mais que isso, era viver o motociclismo. Não havia peças, não havia modelos novos, a quarta-via era uma relíquia de quem a possuía.  Ter moto era uma paixão.  Este sentimento é a melhor coisa do motociclismo, apenas igualável à sensação de pilotar. Como dizia o falecido jornalista Mahar, a sensação de pilotar uma motocicleta é “a de ter algo quente e vibrante entre as pernas”.

Aos 30 anos engravidei. Foi a primeira vez que senti medo de pilotar. Minha filha nasceu e eu vendi a moto. Comprei  um Palio Weekend com uma cozinha enorme para proteger a cria de qualquer acidente. Oito anos depois estava eu de volta às duas rodas, com uma Honda Shadow 600cc. Daí foi um passo para as Harley Davidson. Fiz e ainda faço todos os cursos de direção defensiva,  de pilotagem em baixa e em alta velocidade, até de como entregar a moto para o ladrão em segurança! Na Harley eu comecei com a 883cc, passei à Heritage 1.600cc e agora sou dona do ícone Fat Boy. Hoje, aos 54 anos, tenho a mesma vontade, a mesma sensação de montar pela primeira vez numa moto, todos os dias que dou a partida.


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