Exame toxicológico contribui para reduzir acidentes e combater o tráfico

Ao completar dois anos de aplicação do exame toxicológico de larga janela, o chamado teste do cabelo, os resultados são impressionantes. Pelo menos 1 milhão de motoristas não renovaram as carteiras porque não passariam no teste que detecta o uso regular de drogas nos últimos 90 dias. Leia mais no artigo do Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, que é autor do estudo: “As Drogas e os Motoristas Profissionais”

Tecnologia de ponta ajuda combater as drogas no trânsito
Há poucos dias participei da inauguração de laboratório na Grande São Paulo cujo foco é realizar os chamados exames toxicológicos de larga janela. Conhecido popularmente como exame do cabelo, essa tecnologia laboratorial é capaz de detectar o uso regular de drogas pelo indivíduo nos últimos 90 dias ou até 180 dias, quando são coletados pelos e não cabelos.
Exigido pela Lei 13.103/15 para motoristas das categorias C, D e E, na sua maioria condutores de ônibus e caminhão, o exame toxicológico de larga janela evitou que mais de 1 milhão de motoristas usuários regulares de drogas pudessem renovar a carteira nos primeiros dois anos de implantação da lei. O número é assustador e confirmou os estudos que indicavam que 30% dos motoristas profissionais faziam uso regular de drogas, em particular cocaína, que responde por 70% dos testes positivos.
Evidente que os motoristas profissionais não são playboys que usam drogas por lazer, nem é a maioria que o faz. O uso mais comum é para suportar as longas jornadas e não dormir. Entretanto, os que usam drogas fazem concorrência desleal com quem não usa porque vão aceitar dirigir em condições que os demais se recusam e por isso perdem o frete ou a viagem. No caso do transporte de cargas essa postura contribui para baixar o valor do frete e só beneficia quem explora esses profissionais. Além do mais, aproxima os motoristas do mundo do crime, afinal, quem lida com traficante está próximo da marginalidade.
Há uma responsabilidade indireta de toda sociedade, pois queremos que a carga chegue logo, não importa em que condições trabalha quem transporta. Esse tipo de situação provoca acidentes e mortes nas rodovias.
De qualquer forma, os primeiros dois anos de aplicação da lei já estão contribuindo para separar o joio do trigo e reduzir acidentes. Por outro lado, o investimento nesta tecnologia permite ao Brasil avançar no combate as drogas, a começar pelo trânsito. Com a vantagem de trazer tecnologia de ponta e hoje o Brasil já tem o mais moderno laboratório de exame de larga janela do mundo. A parceria da Labet, empresa brasileira focada na coleta das amostras, com a Quest, o maior laboratório de exames do mundo, bem como a chegada de outros grupos, tornará o País a maior potência do planeta no combate ao uso de drogas utilizando uma tecnologia que atua na prevenção, que estimula o usuário a abandonar o vício, seja para dirigir como atuar em várias atividades como aviação, petróleo, forças de combate ao crime como a Polícia Federal e militares. Acidentes e drogas temos que combater com inteligência, com modernidade, usando as armas que a tecnologia nos oferece.
Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas e Editor do Estradas.com.br

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