Um dos grandes problemas das políticas de segurança no trânsito no Brasil é a falta de dados confiáveis ou acesso fácil aos existentes. É uma espécie de caixa preta.

Vejamos o caso das estradas. No site do DNIT os dados disponíveis são de 2011, já no da Polícia Rodoviária Federal não aparecem, apesar de serem anunciados os resultados das operações nas rodovias a cada feriado.

Em São Paulo, com a maior movimentação de veículos nas estradas em todo o país, os dados são um mistério. Não há informações no site da Secretaria dos Transportes, no site do DER e muito menos na página da Polícia Rodoviária Estadual.

A mesma situação ocorre em Minas Gerais, no Rio de Janeiro. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem ser considerados bons exemplo, dentro das limitações do país pois disponibilizam informações mais recentes e mantém um padrão na coleta dos dados.

Como agravante a falta de padrão na coleta dos dados. Uma espécie de tentativa de cada órgão de descobrir a fórmula perfeita, utilizando metodologias distintas, o que torna a análise dos dados muito difícil para quem pretende obter informações confiáveis e estabelecer tendências.

Outro problema é que quando apresentam dados não assumem metas de redução de acidentes. A maioria absoluta dos órgãos envolvidos com rodovias fogem das metas de redução de acidentes como o diabo da cruz.  E criam fórmulas mirabolantes para indicar a redução de acidentes em feriados prolongados, quando a imprensa dá atenção ao tema. Aparecem estatísticas considerando aumento da frota, estimativa de tráfego,  número de acidentes por veículo circulando, melhoria das condições econômicas, etc…

Enquanto isso, países como França e EUA perseguem a redução de acidentes usando sempre como referência o número de acidentes, mortos e feridos, independente do aumento da população, frota, média de veículos circulando.

Por isso conseguiram atingir resultados concretos e tem menos mortos no trânsito atualmente do que tinham nos anos 60.

A melhor fonte sobre estatísticas de trânsito no Brasil, quanto ao número de vítimas é o Seguro DPVAT. Como a Seguradora Líder, responsável pela administração deste seguro social paga as indenizações , ela sabe quantas pessoas morrem, ficam feridas ou com invalidez permanente.

Embora as autoridades falem em 45 mil mortes no trânsito por ano, os dados do DPVAT indicam que esse número foi atingido em apenas 9 meses de 2013, pois de janeiro a setembro foram quase 42 mil indenizações pagas por morte. A mesma fonte de informação dá o alerta vermelho quando indica crescimento em 37% este no total das indenizações pagas por invalidez permanente.

Por isto, defendemos que os dados do DPVAT sejam utilizados com prioridade no estabelecimento de políticas públicas para redução de acidentes. Além disso, precisamos padronizar as estatísticas de trânsito. Sabemos que não é fácil, pois há décadas que essa ideia não sai do papel. Mas poderíamos começar pelas estradas, onde a Polícia Rodoviária Federal já tem uma metodologia para quase 40% da malha pavimentada do país. Basta que as demais adotem o mesmo método para que possamos ter uma fonte mais confiável e possamos estabelecer metas, ter um histórico de redução ou crescimento dos acidentes. Não podemos continuar como estamos, apenas contabilizando mortos e feridos, e cada um da sua maneira. É preciso saber a realidade, abrir essa caixa preta e exigir metas de redução de acidentes, mortos e feridos.

Autor: Rodolfo Rizzotto – Editor do www.estradas.com.br e Coordenador do SOS Estradas

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