Algumas empresas privadas do Estado estão preferindo fretar ônibus particulares para fazer o transporte de funcionários a comprar vale-transporte. Para autoridades de trânsito, elas estão deixando de garantir um deslocamento mais seguro de seus profissionais através do sistema público de transporte. Essa preocupação veio à tona essa semana por causa do acidente com um veículo da empresa Paraíba que fazia o fretamento de funcionários da fábrica da São Braz.

A falta de freio no veículo fez com que o motorista perdesse o controle do ônibus, que bateu num outro coletivo e em seguida caiu na lagoa do Parque Sólon de Lucena, deixando 23 pessoas feridas, das quais quatro ainda se encontram internadas em hospitais da Capital.

“Esse tipo de autonomia e economia não vale à pena, porque está comprovado que ela coloca em risco a integridade física dos trabalhadores”, observou o diretor-executivo da AETC-JP, Mário Tourinho. O dirigente lembrou que as seis operadoras autorizadas a fazer o transporte público em João Pessoa são extremamente cuidadosas no tocante às condições dos veículos.

As manutenções dos coletivos são realizadas de forma periódica, de modo que qualquer possibilidade de falha mecânica é detectada com antecedência, e o problema corrigido imediatamente. “Isso garante maior tranqüilidade para os empresários, pois sabem que estão oferecendo um serviço de qualidade e segurança à população, assim como um ambiente de trabalho mais seguro para os operadores de trânsito”, observou Tourinho.

O presidente do Sindicato dos Motoristas Profissionais do Estado da Paraíba, Antônio de Pádua, faz uma alerta da gravidade da situação de insegurança em relação aos motoristas que atuam nesses ônibus de fretamento.

“A grande maioria deles não têm nenhuma capacitação específica feita por parte das empresas, muitos nem têm carteira assinada, outros são aposentados que também não tem vínculo empregatício, ou seja, a grande maioria são pessoas que por falta de oportunidade ou de uma conveniência assumem o volante destes ônibus de fretamento, às vezes sem as condições de trabalho necessárias”, afirmou.

Pádua lembra que além da capacitação dos profissionais não ser adequada, há ainda a problemática da situação dos veículos cuja manutenção é precária e os ônibus são muito antigos.

Procurada pela assessoria de imprensa da AETC-JP, a São Braz disse, por meio da supervisora de Recursos Humanos, Josalba Vasconcelos, que prefere o sistema de oferta de transporte próprio para os funcionários por uma questão de comodidade.

“Com esse sistema dispomos de linhas que passam perto da casa deles e isso garante que cheguem no serviço dentro do horário”, disse.

Josalba explicou que o benefício para os trabalhadores é realizado também por causa de necessidades específicas como, por exemplo, o primeiro turno da fábrica que começa às 5h20.

“O grupo tem que estar aqui às 5h00 para tomar o desjejum na fábrica e não são todas as linhas do transporte urbano que operam de madrugada para assegurar que estejam aqui nesse horário”, frisou.

Com relação ao acidente da lagoa, a profissional disse que o departamento jurídico da São Braz está tratando do assunto. Uma inspeção nas linhas da empresa que presta o serviço à fábrica está sendo feita para que a São Braz avalie se continuará com ela ou não.