Gado e cavalos soltos nas rodovias criam situações imprevisíveis. Reduzir a velocidade, evitar buzina e farol alto e comunicar a ocorrência ao gestor da estrada ajudam a prevenir colisões
Um cavalo está quase terminando de atravessar a rodovia. O motorista reduz um pouco a velocidade e calcula que conseguirá passar logo atrás dele. Em segundos, porém, o animal se assusta, muda de direção e volta para a faixa de circulação.
A situação ilustra um dos principais riscos de encontrar gado, cavalos ou outros animais de grande porte durante uma viagem: tentar antecipar o comportamento deles.
Ao avistar um animal na via ou próximo a ela, a orientação é desacelerar gradualmente, aumentar a distância e, se necessário, parar até que existam condições seguras para prosseguir. Buzinar, utilizar farol alto ou fazer uma mudança repentina de direção pode assustá-lo e tornar a reação ainda mais imprevisível.
“Na estrada, o maior erro é acreditar que você sabe o que o animal vai fazer. Um cavalo ou um boi pode parar, avançar ou voltar de repente. Quando aparece um animal à frente, não é hora de tentar ganhar alguns segundos. É hora de diminuir a velocidade, manter distância e esperar o tempo necessário para passar com segurança”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).
A entidade representa mais de 5 mil profissionais do transporte de veículos que percorrem diariamente estradas de diferentes regiões do país.
Embora ocorrências envolvendo animais de grande porte possam ter consequências especialmente severas, o perigo não se restringe a bois e cavalos. Espécies menores também podem desencadear acidentes graves quando levam o condutor a frear ou mudar bruscamente de direção, sobretudo em trechos de maior velocidade.
O perigo pode voltar
Um dos momentos que exigem maior atenção ocorre justamente quando a travessia parece estar terminando. A proximidade do acostamento não significa que o caminho esteja livre.
“É comum o motorista olhar e pensar que o risco acabou porque o animal já está quase do outro lado. Só que ele pode se assustar e voltar de repente. É justamente nessa hora que não se pode ter pressa. Alguns segundos de espera podem fazer a diferença entre seguir viagem e sofrer um acidente grave”, diz Jaime Ferreira dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg).
Também não se deve tentar apressar a saída com buzina ou luz alta. O estímulo pode provocar uma reação inesperada e fazer com que o animal avance justamente na direção do veículo.
Quando não houver segurança para continuar, o recomendado é parar e aguardar. O motorista também não deve tentar capturar ou conduzir por conta própria um boi ou cavalo encontrado no caminho.
Passou pelo risco? Avise quem vem depois
Conseguir superar o trecho sem uma colisão não encerra o problema. A presença do animal deve ser comunicada à Polícia Rodoviária ou à concessionária responsável, com informações que ajudem a localizar rapidamente a ocorrência.
“Desviar e seguir viagem resolve o problema apenas para quem conseguiu passar. O animal continua ali e o próximo motorista pode não ter a mesma sorte. Comunicar a ocorrência é tão importante quanto agir corretamente quando você se depara com ela”, afirma Jaime.
A prevenção também começa fora da pista. Cercas inadequadas ou sem manutenção podem facilitar o acesso de animais à malha viária. Há ainda casos de abandono às margens das rodovias, o que reforça a importância de campanhas educativas e de sinalização preventiva que alcancem também proprietários de áreas próximas.
Nessas situações, não é apenas a integridade do animal que está ameaçada. Motoristas, passageiros e demais usuários também ficam expostos.
Ao identificar um animal à frente, a recomendação é desacelerar com antecedência, manter distância, não buzinar nem utilizar farol alto. Se houver dúvida sobre a segurança da passagem, o melhor é parar e aguardar. Depois, é fundamental comunicar a ocorrência. Quem vem logo atrás pode não ter o mesmo tempo para reagir.





