Trecho da BR-365, em Uberlândia (MG), onde foi instalada a primeira balança que pesa na velocidade da via. Divulgação/Ecovias do Cerrado

Tecnologia identifica excesso de peso com veículos em velocidade normal de circulação. Concessionária EPR Paraná terá 180 dias para apresentar projeto, cujos custos poderão ser considerados na tarifa de pedágio.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a concessionária EPR Paraná a elaborar um projeto para implantar um sistema de pesagem de caminhões em movimento, que permite fiscalizar o excesso de peso sem necessidade de parar ou reduzir a velocidade dos veículos.

A autorização consta da Decisão SUROD nº 1.805, de 27 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (3), edição 206, seção 1, página 282.

O sistema, denominado HS-WIM FULL (High Speed Weigh-in-Motion), utiliza sensores instalados no pavimento para medir o peso dos veículos durante sua passagem, sem a necessidade de direcioná-los às balanças convencionais.

A decisão estabelece que a concessionária terá 180 dias para apresentar à ANTT o projeto executivo de engenharia e o orçamento inspecionado e certificado. O documento deverá atender à classe de exatidão 1A, prevista na Portaria Inmetro nº 375/2013, considerando a velocidade operacional da rodovia.

A autorização não significa que as novas balanças já poderão ser instaladas. A decisão permite inicialmente a elaboração do projeto, que ainda precisará ser analisado pela agência reguladora.

Como funciona a pesagem sem parar?

A tecnologia combina sensores incorporados ao pavimento com equipamentos de identificação e processamento de dados.

Quando um caminhão passa pelo ponto de fiscalização, os sensores registram as forças transmitidas pelos pneus à pista. O sistema estima o peso por eixo, os grupos de eixos e o peso total do veículo, enquanto câmeras identificam a placa.

Os dados são processados eletronicamente para verificar se o caminhão está dentro dos limites legais de peso.

Ao contrário das balanças tradicionais, o motorista não precisa entrar em um posto de pesagem e aguardar a liberação. O caminhão continua trafegando na velocidade permitida para aquele trecho.

Segundo a ANTT, a tecnologia já é utilizada desde dezembro de 2024 nas rodovias BR-364 e BR-365, no corredor entre Uberlândia (MG) e Jataí (GO), administrado pela Ecovias do Cerrado. O sistema pode ser utilizado para lavrar autos de infração por excesso de peso, desde que atendidas as exigências técnicas e regulamentares.

Quais são as vantagens?
A pesagem em alta velocidade pode trazer benefícios para o transporte de cargas e para a segurança rodoviária.

Nas balanças tradicionais, caminhões precisam desacelerar, entrar nos postos de fiscalização e, muitas vezes, enfrentar filas. Isso provoca atrasos, consumo adicional de combustível e movimentação intensa de veículos pesados nos acessos.

Com o HS-WIM FULL, é possível fiscalizar um número maior de caminhões sem interromper o fluxo.

A ANTT também destaca a redução do risco de colisões associadas às filas nas balanças, além de menor desgaste dos freios e componentes mecânicos.

Outro benefício é o combate ao excesso de peso, que acelera a deterioração do pavimento, pode aumentar as distâncias de frenagem e comprometer a segurança dos veículos de carga.

Onde poderá funcionar no Paraná?
A EPR Paraná administra o Lote 4 das Rodovias Integradas do Paraná, que compreende aproximadamente 627,5 quilômetros, incluindo trechos das BR-272, BR-369 e BR-376 e das rodovias estaduais PR-182, PR-272, PR-317, PR-323, PR-444, PR-862, PR-897 e PR-986.

A concessão começou em 9 de março de 2026, com duração contratual de 30 anos.
ANTT

A decisão publicada no Diário Oficial não informa quantos equipamentos serão instalados nem em quais quilômetros. Essas definições deverão constar do projeto executivo que a concessionária apresentará à ANTT.

Investimento poderá ter reflexos no pedágio
Um aspecto importante da decisão é a possibilidade de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.

O artigo 3º estabelece que a concessionária terá direito à correspondente recomposição, mediante revisão extraordinária do contrato, depois que a ANTT aceitar o projeto executivo e o orçamento da implantação do sistema.

Isso significa que o investimento poderá provocar ajustes econômico-financeiros no contrato, inclusive com reflexos na tarifa de pedágio, dependendo da revisão aprovada.

A decisão, entretanto, não estabelece nenhum aumento imediato de tarifa nem informa quanto custará a tecnologia.

Também seria importante que a ANTT divulgasse a comparação entre os custos da pesagem convencional e os do sistema eletrônico. A própria agência reconhece que a tecnologia pode representar economia de implantação e operação em relação aos postos tradicionais.
ANTT

A questão é saber como os benefícios econômicos do novo modelo serão repartidos entre concessionária e usuários.

Tecnologia já resultou em milhares de multas
A utilização de sistemas de pesagem em alta velocidade está avançando nas rodovias federais. Segundo o Relatório de Gestão de 2025 da ANTT, foram lavrados 37.044 autos de infração por excesso de peso com utilização do HS-WIM naquele ano.

O número corresponde a aproximadamente um terço dos 110.878 autos emitidos pelas duas modalidades de fiscalização de pesagem — postos convencionais e sistemas de alta velocidade — contabilizadas no relatório.
2025

O dado demonstra que a tecnologia deixou de ser apenas experimental e já participa efetivamente da fiscalização rodoviária federal.

A implantação no Paraná poderá ampliar o controle do excesso de peso sem exigir que milhares de caminhões sejam desviados para balanças convencionais.

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