Aumento das mortes de motoristas drogados faz Reino Unido lançar nova campanha
CAMPANHA: Não coloque um motorista drogado no lugar do motorista. Foto: Reprodução

Entre 2014 e 2023, houve um aumento de 70% no número de motoristas que morreram em sinistros fatais quando dirigiam sob efeito de drogas. Os jovens do sexo masculino representam cerca de 90% dos motoristas, sob efeito de drogas ilícitas, envolvidos em colisões e, quarto em cada dez, têm entre 17 anos e 29 anos.

O excesso de confiança e a tendência de subestimar os riscos são generalizados, com 32% dos homens jovens acreditando que não há problema em dirigir após usar drogas se “se sentirem bem”, enquanto 46% afirmam conhecer alguém que dirige após consumir drogas.

Para enfrentar esse problema crescente, o governo do Reino Unido, por meio do movimento THINK! (Pense!) está lançando uma nova e impactante campanha. “Don’t Put Drugs in the Driving Seat” (“Não coloque as drogas no banco do motorista”) lembra aos motoristas jovens os riscos e a espiral de consequências que podem enfrentar ao decidir dirigir sob efeito de drogas.

A criação usa o banco do motorista como cenário constante, com um efeito de câmera rotativa que revela como uma única decisão equivocada pode levar a consequências devastadoras.

Os materiais destacam o impacto que dirigir sob efeito de drogas pode ter na sua noite, na sua vida e no seu futuro, além do risco de ferir a si mesmo ou outras pessoas — consequências que, segundo pesquisas, têm forte ressonância com esse público.

A campanha é veiculada em ampla variedade de canais de elevada audiência para garantir alcance e impacto nacional, utilizando mídia exterior, redes sociais, vídeos online e áudio digital.

Para explorar momentos contextualmente relevantes, a campanha também vai focar em “pontos críticos” de direção sob efeito de drogas na Inglaterra, alinhando-se às operações de fiscalização policial durante o período festivo.

Campanha ocorre no mesmo momento que Brasil passa a exigir exame toxicológico na primeira habilitação, principalmente de jovens

O aumento dos motoristas mortos quando dirigiam sob efeito de drogas no Reino Unido, que utiliza o drogômetro, desde 2015, nas operações de fiscalização, revela a importância da decisão do Congresso de exigir o exame toxicológico na primeira habilitação. Isto porque, impede usuários de drogas de terem acesso a habilitação.

A estimativa do SOS Estradas é que, utilizando os dados de usuários de drogas identificados pelas pesquisas da Fiocruz e SENAD (Secretaria Nacional de Polícia Contra as Drogas), estima que entre 390 e 870 mil brasileiros obtém a primeira habilitação todos os anos sendo usuários de drogas.

Portanto, recebem do Estado autorização para dirigir porque não existia, até o momento, forma de evitar que tivessem acesso a CNH. No caso das drogas, são substâncias ilegais que não podem ser comparada com álcool que é legalizado.

O coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, esclarece que não basta fiscalizar é preciso impedir que motoristas dependentes químicos de drogas ilícitas recebam do Estado uma habilitação.

As operações de fiscalização são de amostragem e limitadas. O exame toxicológico atua no atacado e impede o usuário de obter a CNH. A prevenção, utilizando essa política pública, consegue reduzir os casos de motoristas que morrem sob efeito de drogas e que matam. A utilização do drogômetro está mostrando que não é suficiente, embora importante, conforme comprovamos no passado.”