Autoban anuncia ampliação das cabinas de autoatendimento, mas usuários sofrem com as falhas dos totens
MAIS DEMORA: Na praça de Nova Odessa, na SP-330, em maio deste ano, a fila era grande nas duas cabines ATM. Usuários exerceram a paciência. Foto: Aderlei de Souza

Reportagem do Estradas constatou, por diversas vezes, que usuários ficam mais tempo no autoatendimento do que nas cabines com arrecadadores. Tecnologia ainda não funciona como deveria e atrasa a viagem

Em vez de agilizar a passagem pelas praças de pedágio, as cabines de autoatendimento (ATM) têm causado irritação e transtornos aos usuários do Sistema Anhanguera-Bandeirantes (SAB), administrado pela concessionária AutoBAn.

Nesta semana, a concessionária anunciou a ampliação do serviço nas praças da Via Anhanguera (SP-330) e Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), enfatizando que a “inovação segue acelerando nas rodovias paulistas“.

A novidade, segundo a concessionária, é que a partir de agora, os totens de autoatendimento (ATM) vão atender aos veículos comerciais, oferecendo mais agilidade e autonomia no pagamento de pedágios.

Entretanto, a reportagem do Estradas presenciou, por diversas ocasiões, que essas cabines de autoatendimento, na prática, atrasam a passagem dos usuários e provocam irritação, em vez de facilitar.

Conforme constatou a reportagem, o totem que estava instalado era mais eficaz e intuitivo, quando do início deste tipo de serviço, no ano passado. Já, neste ano, a AutoBAn fez troca por outro tipo de equipamento, que resultou em atrasos e mais dificuldade por parte de alguns usuários para realizar o pagamento.

Com isso, os “arrecadadores de plantão” têm que entrar em cena, sistematicamente, para liberar as cancelas, porque o equipamento trava e um alarme é acionado, o que provoca muita irritação dos usuários, que é acompanhado por um ‘buzinaço’. Em vez da facilidade, as cabines de autoatendimento estão causando justamente o efeito contrário: mais demora nas passagem pelos pedágios.

Mais cabines de autoatendimento que as convencionais

Não bastasse isso, a reportagem do Estradas constatou também que o número de cabines de autoatendimento é bem superior ao de cabines convencional. Em outras palavras, a concessionária buscando a redução de custos – ao reduzir o número de funcionários – e, com isso, o usuário paga caro pelas tarifas e tem que amargar com a espera nas praças de pedágio. Isso é fato consumado, com bases na experiência da reportagem do Estradas, que, por diversas vezes, preferiu passar pela cabine convencional a passar pela de Autoatendimento, o que representou mais rapidez, em todas a vezes.

Autoban anuncia ampliação das cabinas de autoatendimento, mas usuários sofrem com as falhas dos totens
QUADRUPLICOU: Número de cabines de ATM quadruplicou na praça do km 36 Sul da SP-348; saiu de 2 para 8, em meados de julho. Com isso, aumentou o “buzinaço” por conta da espera que não deveria existir. Foto: Aderlei de Souza

Conforme divulgou a AutoBan, “a novidade representa um avanço na automação dos serviços de pedágio, oferecendo mais agilidade e eficiência para transportadoras e motoristas profissionais”. Na prática é completamente o o contrário que ocorre.

Ainda segundo a empresa, o sistema de autoatendimento está em operação em 51 cabines destinadas exclusivamente para veículos leves e, em mais 12 cabines, com totem duplo, destinado também à frota comercial, permitindo que caminhões e veículos de carga realizem o pagamento de forma rápida e autônoma. Outros 19 totens duplos devem ser liberados, gradativamente, pela concessionária, nas próximas semanas.

De acordo com a empresa, a ampliação desse serviço para veículos comerciais é um passo importante na modernização da experiência dos clientes do Sistema Anhanguera-Bandeirantes. “A concessionária está comprometida em oferecer soluções que otimizem o tempo de viagem e contribuam para a eficiência logística do transporte rodoviário”. Será? Na prática, a reportagem do Estradas comprovou que não.

Autoban anuncia ampliação das cabinas de autoatendimento, mas usuários sofrem com as falhas dos totens
SÓ UMA!: Autoban ‘obriga’ usuário a usar cartão; enquanto àquele que paga com dinheiro só tem 1 cabine à disposição, em plena Bandeirantes. Foto: Aderlei de Souza

Artesp não se manifesta

O Estradas entrou em contato com a Agência Reguladora de Transporte de São Paulo (Artesp) e com a concessionária AutoBan e questionou sobre o serviço. Até a publicação desta matéria, somente a AutoBAn respondeu aos questionamentos. Veja o que disse a concessionária:

1 – Estradas – Por que a AutoBAn tem aumentado, significativamente, o número de cabines ATM ?

AutoBAnA procura por pagamento em cartão cresceu, e para acompanhar a demanda de mercado, a concessionária implantou o ATM para proporcionar uma melhor experiência para os clientes garantindo maior agilidade e facilidade de pagamento.

2 – Estradas – Essa mudança tem permissão da Artesp, está no Contrato de Concessão essa migração do sistema de cobrança?

AutoBAnEssa mudança está totalmente autorizada pela Artesp.

3 – Estradas – Existe no Contrato de Concessão um número mínimo de cabines convencionais que devem permanecer em operação por turno?

AutoBAnNão. Existem apenas níveis de serviços contratuais que estão sendo atendidos pela concessionária.

4 – Estradas – Qual é o motivo dessa mudança de cabine com arrecadador para cabine de ATM, uma vez que a reportagem do Estradas constatou em diversas ocasiões que a demora tem sido maior nas cabines de ATM?

AutoBAn Essa modalidade de cobrança é nova, e acaba dependendo do comportamento do cliente. Ressaltamos que a concessionária sabe que qualquer mudança, precisa de tempo e experiencia com o uso do equipamento novo. Pensando dessa maneira, equipes operacionais estão realizando campanhas nos postos de serviços do sistema Anhanguera-Bandeirantes, orientando como usar corretamente o equipamento e explicando os benefícios do uso do totem.

5 – Estradas – Considerando que o equipamento anterior – quando do início do serviço em 2024 – é mais intuitivo e eficaz, por que a AutoBAn mudou o modelo de totem?

AutoBAnCom a experiencia inicial com touch screen, identificamos dificuldade no manuseio e também quebra do equipamento. Após avaliação, identificamos que o totem com botões externos, são mais didáticos e intuitos, o que facilita a experiência do cliente.

6 – Estradas – Considerando que tais totens – atualmente em operação- causam mais demora para a passagem pelas cabines, como a AutoBAn pretende resolver o problema, com a entrada dos totens para caminhões?

AutoBAnO novo equipamento com totem, não causa mais demora na passagem pelas cabines. Comprovamos um menor tempo e mais fluidez comparando com o primeiro modelo de touch screen. Novas pistas com o serviço de totem estão sendo implantadas para atender os caminhoneiros, proporcionando um atendimento amplo a todos os clientes.

A reportagem ainda aguarda a posição da Artesp.

Veja os locais dos novos equipamentos

Os novos totens duplos destinados aos veículos comerciais já estão em operação nas seguintes praças de pedágio:

Via Anhanguera (SP-330)

  • Praça de Perus, km 26, sentido interior, pistas 5 e 6
  • Praça de Valinhos, km 82, sentido interior, pistas 5 e 6
  • Praça de Nova Odessa, km 118, sentido interior, pistas 6 e 7
  • Praça de Limeira, sentido interior, pistas 5 e 6

Rodovia dos Bandeirantes (SP-348)

  • Praça de Itupeva, km 77, sentido interior, pistas 6 e 7
  • Praça de Sumaré, km 115, sentido interior, pistas 4 e 5

Com tecnologia NFC (Near Field Communication) — que permite que os motoristas realizem o pagamento por aproximação, não apenas com cartões de débito e crédito, mas também com smartphones, relógios e carteiras digitais – os novos totens reforçam o compromisso da concessionária com a modernização da experiência dos clientes e a transformação digital nas rodovias sob concessão da AutoBAn.