Em 2013, 146 pessoas morreram vítimas de acidentes ao longo de 850 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso, o que representou 49% do total de vítimas fatais registradas nas rodovias federais no Estado, segundo os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Mas esta realidade deve mudar nos próximos anos, a partir do início do atendimento pré-hospitalar às vítimas de acidentes na BR-163 em Mato Grosso. A Rota do Oeste, empresa responsável pela concessão da rodovia, estima que o número de vítimas fatais seja reduzido em até 30% com a implantação dos serviços de atendimento por meio das ambulâncias ao longo de todo o trecho concedido.

Dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) apontam que entre 2012 e 2013 o número de óbitos em estradas onde há cobrança de pedágio foi reduzido em 3,65%, enquanto o tráfego de veículos aumentou 2,4%. Foram registrados, em 2013, 3.166 vítimas fatais em acidentes, ante 3.286 no ano anterior, enquanto a circulação de veículos passou de 1.631 milhão para 1.671 milhão no mesmo período.

A partir de 20 de setembro, os usuários da BR-163 em Mato Grosso, no trecho entre a divisa com Mato Grosso do Sul e o município de Sinop, terão disposição 18 ambulâncias. O serviço oferecido está previsto no Programa de Exploração da Rodovia (PER) e deverá ter impacto direto sobre o número de vítimas fatais. O diretor de operações da concessionária, Fábio Abritta, explica que o conjunto de melhorias realizadas na rodovia, somado ao atendimento pré-hospitalar disponibilizado, reduzirá em até 30% o número de mortos já nos dois primeiros anos da concessão.

“Será disponibilizada uma estrutura de atendimento aos usuários que suprirá uma deficiência existente hoje na rodovia. Há casos de vítimas que são socorridas por outros usuários e conduzidas de maneira inadequada porque não há disponibilidade de socorro imediato”.

A informação é confirmada pelo superintendente da PRF em Mato Grosso, Arthur Nogueira. “Infelizmente vítimas ainda são resgatadas por outros usuários devido à falta atendimento adequado. Apesar da prática ser proibida, esta é, às vezes, a única alternativa na tentativa de salvar vítimas”.

Nogueira explica que o procedimento em casos de acidentes com vítimas em rodovias federais é solicitar o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além de acionar o Corpo de Bombeiros para realizar o desencarceramento dos feridos. No entanto, procedimentos de rotina, congestionamento e falta de equipes suficientes, muitas vezes, impedem o salvamento de vidas.

Os serviços de resgate oferecidos pela concessionária Rota do Oeste serão realizados por 13 ambulâncias de resgate, com uma equipe de dois resgatistas e um condutor, e cinco ambulâncias UTI, que contam com um médico e um enfermeiro para o socorro em casos mais graves. Elas estarão dispostas a cada 50 quilômetros ao longo de todo o trecho concedido. O tempo previsto para o atendimento é de até 20 minutos no caso de ambulância resgatista e até 90 minutos para as ambulâncias UTI.

Além dos profissionais, as ambulâncias também estarão equipadas com instrumentos para fazer a retirada das vítimas dos veículos, mesmo quando ficam presas às ferragens.

Uma chance a mais

Ana Lídia Borba participa de competições em todo o país. Ela é triatleta desde 2004, mas em 2009 um acidente interrompeu seu sonho. Ana Lídia foi atropelada durante um treinamento na rodovia Dom Pedro I, no interior de São Paulo. Com fraturas na bacia, costela e coluna, a única torcida, na época, era por sua sobrevivência.

Socorrida imediatamente pela equipe da Rota das Bandeiras, empresa da Odebrecht TransPort responsável pela concessão da rodovia, a atleta foi levada imediatamente para o hospital e os médicos puderam agir rapidamente. Contradizendo o ditado popular, neste caso a pressa foi amiga da perfeição e em menos de um ano a triatleta estava de volta aos treinos. “Se eu não tivesse recebido o atendimento rápido e sido encaminhada ao hospital, talvez nem minha vida estaria salva. Os médicos disseram que a rapidez do resgate foi fundamental para minha recuperação”.

Casos como o de Ana Lídia poderiam ser mais comuns caso houvesse mais serviços de atendimento às vítimas de acidentes.  Pesquisa do Suporte Avançado de Vida no Trauma, elaborado pelo Colégio Americano de Cirurgiões, aponta que até 50% do número de mortes decorrentes de trauma pode ser evitado caso o socorro especializado seja realizado por profissionais.

O médico-cirurgião consultor do Ministério da Saúde em Urgência, Edson Vale Teixeira Júnior, explica que os estudos apontam que entre 25% e 30% das vítimas de acidentes morrem minutos após o trauma e que outros 20% a 30% morrem nas semanas seguintes, números que seriam reduzidos caso o acidentado recebesse atendimento médico imediatamente. “A assistência pré-hospitalar reduz o número de mortes nestes casos porque complicações decorrentes do trauma como hemorragias e parada respiratória são evitadas. A estabilização do paciente é muito importante e, consequentemente, evita a morte”.

Antes da implantação dos serviços de atendimentos às vítimas, a Rota do Oeste fez um levantamento de toda a rede hospitalar nos municípios que fazem margem à BR-163 para identificar qual a capacidade de atendimento de cada um. “Não podemos levar o acidentado para um local que não possua estrutura suficiente para as necessidades dele. É melhor percorrer uma distância maior para garantir a assistência necessária”, conclui Fábio Abritta.

Fonte: Rota do Oeste

 

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