Caminhoneiro de Sinop (MT) morre após surto às margens da BR-163/PA
REALIDADE TRISTE: Caminhoneiro de Sinop (MT) morre após surto às margens da BR-163/PA. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ocorrência foi registrada na sexta-feira (15)

Um caminhoneiro, de 30 anos, morador de Sinop, no norte de Mato Grosso, morreu após apresentar um aparente surto enquanto trafegava pela BR-163, na região de Novo Progresso, no sudoeste do Pará.

A ocorrência foi registrada na última sexta-feira (15) e chamou a atenção de motoristas que passavam pelo trecho da rodovia federal, uma das principais rotas do transporte de cargas do país.

O veículo, um modelo DAF, está registrado em nome da empresa Transportes Vanzetto de Marmeleiro, no Paraná. Não foi possível encontrar informações de contato da empresa para saber o que pode ter ocorrido.

Caminhoneiro de Sinop (MT) morre após surto às margens da BR-163/PA
MORTE: Condutor teve um aparente mal súbito quando conduzia a carreta DAF, da Transportes Vanzetto. Foto: Reprodução/Redes Sociais

De acordo com as informações divulgadas, o caminhoneiro identificado como Jônatas Nunes Moraes conduzia uma carreta, de cor azul, da Transportes Vanzetto, pela BR-163, quando começou a apresentar comportamento considerado alterado. Testemunhas relataram que ele teria descido do veículo desorientado e em estado de forte agitação às margens da estrada.

O comportamento é comum entre usuários de drogas, quando entram em surto, conforme vários toxicologistas já explicaram no Estradas. Somente o exame toxicológico para averiguar se foi esse o caso ou pode ter sido causado por outra razão.

A situação rapidamente mobilizou outros caminhoneiros e equipes de apoio que trafegavam pelo trecho entre Novo Progresso e a região de Castelo dos Sonhos, corredor estratégico para o escoamento de grãos entre Mato Grosso e os portos do Pará.

Segundo relatos publicados também em postagens nas redes sociais reproduzidas pela reportagem, o motorista aparentava sofrer um surto psicológico antes de morrer.

Rota do agro

A BR-163 é considerada uma das rodovias mais importantes do agronegócio brasileiro, ligando o norte de Mato Grosso ao Pará. O trecho onde ocorreu o caso fica em uma região isolada, marcada por longas distâncias, intenso fluxo de carretas e desgaste físico e emocional enfrentado por motoristas profissionais.

Ainda não há confirmação oficial sobre a causa da morte. Muito menos as condições de trabalho e saúde do condutor. O caso deverá ser investigado pelas autoridades do Pará, que aguardam resultados de exames periciais, inclusive toxicológico. Não foram divulgadas informações sobre histórico médico do caminhoneiro.

O episódio reacendeu discussões sobre saúde física e mental entre caminhoneiros e as condições extremas enfrentadas por profissionais que percorrem milhares de quilômetros em rodovias brasileiras, muitas vezes submetidos a jornadas prolongadas, pressão por prazos e isolamento nas estradas.

Exploração de motoristas profssionais

Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, é importante combater a exploração dos motoristas profissionais. “Sem entrar no caso específico, até porque ainda depende de investigação policial e perícia, a morte por problemas graves de saúde e drogas é comum entre caminhoneiros, submetidos a jornadas equivalentes a de escravos. Com um agravante, neste momento existe um forte movimento no Congresso para praticamente acabar com o controle de jornada, por parte de quem explora a categoria e com apoio de supostas lideranças dos caminhoneiros. Muitos caem na armadilha, achando que podem dirigir quantas horas suportarem, mas na realidade os escravocratas do transporte estão querendo resolver o problema da falta de motoristas, devido a má remuneração dos caminhoneiros empregados e do baixo valor do frete, com regime análogo a escravidão”, afirmou.