
Chuvas intensas de janeiro expõem gargalos logísticos e geram prejuízos bilionários às empresas
As chuvas intensas típicas do mês de janeiro voltaram a causar impactos significativos nas operações logísticas em diversas regiões do país, resultando em interrupções de rotas, danos a cargas, atrasos operacionais e prejuízos financeiros para empresas que dependem do transporte rodoviário e da movimentação de estoques.
No litoral paulista, episódios recentes de chuvas fortes provocaram alagamentos, quedas de árvores e interdições em rodovias, especialmente em trechos da Baixada Santista e do Litoral Norte. Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicam que, em municípios como Ubatuba (SP), o volume de chuva registrado em poucas horas se aproximou da média esperada para todo o mês de janeiro, elevando o risco de transtornos urbanos e rodoviários.
A Defesa Civil emitiu alertas preventivos diante da possibilidade de novos eventos extremos, cenário que afeta diretamente cadeias de abastecimento, prazos contratuais e custos operacionais das empresas.
Em âmbito nacional, o impacto financeiro desses eventos é expressivo. Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com uma consultoria, aponta que, entre 2022 e 2024, os eventos climáticos extremos causaram cerca de R$184 bilhões em prejuízos no Brasil. Apenas 9% desse valor estava coberto por seguros, o que revela uma baixa proteção financeira frente aos riscos climáticos.
Alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra concentram boa parte dos sinistros registrados no período chuvoso e evidenciam falhas recorrentes no planejamento logístico e na gestão de riscos. Especialistas alertam que muitas empresas ainda reagem aos prejuízos apenas após os eventos, sem protocolos claros de contingência.
Para João Paulo, CEO da Mundo Seguro, corretora especializada em seguro de transporte de cargas, o período de chuvas exige uma postura mais preventiva por parte das empresas. “Os eventos climáticos deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina das operações logísticas. O planejamento precisa considerar não apenas o transporte, mas toda a cadeia envolvida”, explica.
Medidas como mapeamento de rotas vulneráveis, monitoramento climático, planos de contingência, revisão de procedimentos de armazenagem e adequação das coberturas de seguro à realidade das operações são apontadas como fundamentais para reduzir perdas financeiras e evitar paralisações prolongadas.
Com a recorrência de eventos climáticos extremos, o início do ano se consolida como um período crítico para a logística nacional, exigindo das empresas maior antecipação, integração entre áreas e investimentos consistentes em prevenção para garantir a continuidade das operações.




