Quando foi assinado o contrato de concessão da Rodovia Presidente Dutra em 1996, a concessionária NovaDutra assumiu a responsabilidade de construir uma nova pista de descida da Serra das Araras até 2009. Tudo previsto no Programa de Exploração da Rodovia  mas a obra não foi executada. Passados seis anos do prazo, com adiamentos por vários motivos, a NovaDutra, do grupo CCR, está em fase final de negociação com a ANTT- Agência Nacional de Transportes Terrestres para assumir um novo projeto e com isso conseguir a prorrogação do contrato que termina em 2021. Enquanto o usuário é obrigado a descer numa pista sem acostamento, com limite de 40km/h , onde carretas descem usando as duas faixas, a ANTT parece entender que a concessionária NovaDutra merece administrar a rodovia por mais muitos anos.

Com a nova obra a atual pista de subida será transformada em pista de descida. A obra já tinha até vídeo demonstrativo em abril de 2015 e falava na necessidade de atender grandes eventos como a Olimpíada do Rio de Janeiro. O vídeo praticamente anunciava como fato consumado. A realidade já mostrou que nenhum cronograma é cumprido quando se trata da Serra das Araras.

Como concessionária do primeiro lote de concessões, ainda no Governo Fernando Henrique Cardoso, a NovaDutra foi beneficiada com tarifas de pedágio muito acima de média comparando com trechos como a Fernão Dias (BR-381), que liga São Paulo a Belo Horizonte e da Regis Bittencourt (BR-116) que liga São Paulo até Curitiba. O trecho percorrido na Dutra custa praticamente 5 vezes mais que nas demais rodovias concedidas posteriormente.

A justificativa para valores tão elevados seria o risco dos primeiros contratos e a envergadura das obras. Entretanto, a concessionária não executou a obra mais importante que seria a nova pista de descida da Serra das Araras. A qual foi objeto de estudo da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) que em 2010 criticava  o atraso na obra e demonstrava o custo social e econômico dessa postergação inclusive em função dos acidentes.

Como não cumpriu o cronograma previsto em contrato, nada garante que a NovaDutra vá cumprir o próximo. Resta saber qual o benefício da sociedade em bancar a extensão de contrato sabendo que a Ponte Rio Niterói que era administrada pelo mesmo grupo CCR, teve redução substancial no valor do pedágio quando mundou de mãos? É bom lembrar que a concessão da Ponte foi na mesma época da concessão da Dutra.  Além do mais, as empreiteiras envolvidas na concessão de rodovias estão atravessando um momento delicado em função da operação Lava Jato. Portanto, ninguém garante que vão sobreviver no futuro próximo.

Veja o vídeo da obra que anunciava a nova subida e dava nitidamente a entender ao usuário que estaria pronta para a Olimpíada de 2016.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui