Cresce o número de mortes em acidentes com caminhões nas rodovias federais do Paraná
PREOCUPAÇÃO: Tombamento de caminhão-tanque com derramamento de óleo vegetal e interdição da via, em Morretes (PR), no último dia 26. Caminhoneiro sofreu lesões leves. Foto: Divulgação/PRF

Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que sinistros envolveram mais da metade das mortes em 2025

No primeiro semestre deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou um aumento de mais de 15% nas mortes em sinistros (acidentes) com a participação de caminhões. Foram registradas 164 mortes contra 142 mortes em 2024.

Segundo o levantamento, no total de óbitos do semestre deste ano (302, clique e veja balanço semestral), os números apontam que 54% dessas ocorrências fatais envolveram ao menos um caminhão. O aumento de mortes com veículos de carga foi registrado mesmo com uma redução de 5% na quantidade de sinistros, o que demonstra uma maior gravidade nas ocorrências.

De acordo com o balanço, diversos tipos de sinistros são responsáveis pelo aumento, demonstrando o caráter multifatorial e complexo do trânsito rodoviário. Entretanto, por ser o tipo que mais concentra mortes, com 44% dos registros, a colisão frontal é o tipo de sinistro que mais desperta preocupação.

Ainda de acordo com o levantamento, a conhecida “batida de frente” soma a velocidade dos veículos que trafegam em sentidos opostos e transfere uma gigantesca carga de energia cinética para os ocupantes dos veículos — ainda maior no caso de veículos pesados —, resultando em lesões graves e mortes. Nas mortes em colisões frontais, foi registrado um aumento de 22%, somando-se 13 óbitos aos 59 registrados, em 2024.

Esses números preocupantes não significam que a culpa seja exclusivamente dos caminhoneiros. Apesar de esses profissionais receberem uma parcela maior de responsabilidade na segurança viária, pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as causas dos sinistros de trânsito são multifatoriais. A segurança viária é responsabilidade de todos, inclusive de pedestres, ciclistas e motociclistas, sendo necessária a adoção de comportamentos defensivos e preventivos.

Quase metade das abordagens feitas diariamente pelos policiais rodoviários federais no Paraná é exatamente de veículos de carga. Foram mais de 70 mil caminhoneiros abordados, de janeiro a junho deste ano, fato que reflete a preocupação central da PRF com os condutores desse tipo de veículo”, frisa o superintendente da PRF no estado, Fernando César Oliveira.

Semana Nacional do Trânsito

No dia 19 de setembro, em meio à Semana Nacional do Trânsito, a PRF promoverá, em Curitiba(PR), o seminário ‘Motorista profissional: jornada de trabalho e tempo de descanso‘, em parceria com trabalhadores e empresas da área de transporte rodoviário, além do apoio do Ministério Público do Trabalho. “Nosso principal objetivo é melhorar a segurança no trânsito nas rodovias federais do Paraná, a partir da redução dos casos de sinistros envolvendo caminhões e ônibus”, ressalta Oliveira.

A Corporação possui ações específicas para a fiscalização de veículos pesados, buscando reduzir fatores que aumentam as chances de sinistros. A “Operação Serra Segura”, por exemplo, fiscaliza as condições mecânicas dos veículos, com o apoio de mecânicos das concessionárias, que vistoriam aspectos gerais de freios, suspensão e pneus. No âmbito dessa operação especializada, 25% dos veículos acabam retidos e autuados por algum problema mecânico.

No primeiro semestre deste ano, 892 veículos de carga foram autuados por estarem circulando com excesso de peso. O número é ligeiramente maior que o flagrado no período de comparação do ano passado, quando 883 veículos foram autuados.

O excesso de peso, além de danificar o pavimento e atrapalhar o fluxo do trânsito, sobrecarrega o sistema de freios e suspensão, aumentando o risco de sinistros. Veículos flagrados nessa condição são autuados com multa média (R$130,16), mais uma fração por excesso de peso aferido. Além disso, são retidos até a regularização do peso com transbordo para outro veículo.

Cresce o número de mortes em acidentes com caminhões nas rodovias federais do Paraná
RIGOR NA FISCALIZAÇÃO: Cresce o número de mortes em acidentes com caminhões nas rodovias federais do Paraná. Foto: Divulgação/PRF

Perfil das mortes em sinistros

A maior parte das mortes em sinistros com participação de caminhões ocorreu em pista simples (65%), mesmo sendo esse o tipo de pista com menor participação na quantidade de sinistros (48%). O principal tipo de sinistro com óbitos é a colisão frontal (44%), seguido por tombamentos e colisões traseiras — ambos com 10% de participação nas mortes.

Segundo o levantamento, a rodovia com maior registro de mortes é a BR-277, com 37 óbitos. Mesmo sendo a mais extensa do estado, a densidade de mortes por quilômetro também é a maior. A rodovia é seguida pela BR-376 (20% do total) e pela BR-369 (14%). Já a BR-369 registrou aumento considerável de mortes, cerca de 130%; saltando de 10 mortes para 23 óbitos.

A maioria de quem morre nesses sinistros é homem, com idade entre 20 anos e 40 anos. Apenas 33% dos mortos ocupavam os caminhões, os demais estavam em outro tipo de veículo ou eram pedestres.

Com informações da Ascom da PRF