
Motoristas que emparelham com carretas para observar lançamentos podem entram em pontos cegos . Esse comportamento preocupa profissionais do transporte de especializado de veículos
A curiosidade por um carro recém-lançado pode colocar motoristas em situações de risco nas rodovias brasileiras. Ao emparelhar com carretas cegonhas para observar os veículos transportados, condutores de automóveis e motocicletas podem permanecer em áreas fora do campo de visão do caminhoneiro, aumentando a possibilidade de colisões.
A situação é conhecida entre os profissionais do transporte de veículos zero-quilômetro ou modelos raros. Diferentemente de outras cargas, os automóveis expostos nas estruturas das cegonhas atraem a atenção de quem circula pelas estradas, especialmente quando se trata de modelos que acabam de chegar ao mercado.
“Uma cegonha transporta algo que representa o sonho de consumo de muitos brasileiros. Quando aparece um lançamento, é natural que desperte curiosidade. O problema começa quando o motorista decide acompanhar a carreta para observar o carro e acaba permanecendo justamente onde não conseguimos enxergá-lo. Ele está olhando para a carga, mas deixa de prestar atenção na estrada”, afirma Jaime Ferreira dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg).
Os pontos cegos são regiões ao redor dos veículos que não podem ser visualizadas diretamente pelo condutor ou por meio dos retrovisores. Nos caminhões, essas áreas podem ser extensas, principalmente nas laterais, imediatamente à frente da cabine e na parte traseira. Mesmo com espelhos auxiliares e sistemas de assistência à condução, a visibilidade pode continuar limitada.
José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), chama a atenção para um equívoco frequente entre os condutores de veículos menores.
“Enxergar um caminhão não significa que o caminhoneiro esteja enxergando você. Essa diferença parece simples, mas pode determinar se uma manobra termina com segurança ou em acidente. O motorista precisa entender que não basta ter espaço para passar. É necessário ter certeza de que está sendo visto”, afirma.
O problema também se manifesta nas cidades, especialmente em cruzamentos, retornos e acessos onde caminhões precisam utilizar uma área maior da via para completar curvas. Nessas situações, a abertura lateral necessária à manobra pode ser confundida com uma oportunidade de ultrapassagem.
Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, explica que esse comportamento expõe principalmente motociclistas e condutores de automóveis que tentam avançar pelo espaço deixado pela carreta.
“Quando um caminhão abre para fazer uma curva, não está dando passagem. Está buscando o espaço necessário para concluir a manobra. Quem tenta entrar nessa abertura pode acabar exatamente na trajetória da carreta. O motorista profissional precisa olhar para vários pontos ao mesmo tempo, mas existem limites físicos de visibilidade que não podem ser ignorados”, afirma.
Além do risco de colisões, a dificuldade de enxergar veículos menores pode provocar conflitos sobre as circunstâncias dos sinistros (acidentes). Segundo Jaime, caminhoneiros frequentemente enfrentam acusações de imprudência em ocorrências nas quais o outro veículo estava fora de seu campo de visão.
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