Aumento do custo altera planilha e exige atenção das empresas e autônomos Foto: Divulgação

Alta do combustível e mudanças tributárias exigem atenção aos valores do frete e às cláusulas de reajuste dos contratos.

O preço médio do diesel S10 nos postos credenciados à TruckPag chegou a R$ 6,94 por litro na primeira quinzena de outubro, alta de 20,1% em relação a janeiro, quando a média era de R$ 5,78. O aumento pressiona os custos do transporte rodoviário de cargas e pode comprometer a rentabilidade de contratos de médio e longo prazo.

Os números refletem a rede de postos credenciados e não devem ser confundidos com a média nacional de preços dos combustíveis.

ANTT reajustou piso mínimo do frete

Em 30 de setembro, entrou em vigor uma atualização da tabela de pisos mínimos de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que considerou o preço médio nacional do diesel S10 de R$ 7,33 por litro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Os valores mínimos variam conforme o tipo de carga, a distância percorrida, o número de eixos e a modalidade de contratação. A legislação prevê revisões extraordinárias dos coeficientes quando a variação do preço médio do diesel S10 ultrapassa 5%, além das atualizações periódicas.

Contratos precisam prever variações de custos

O aumento do diesel afeta especialmente transportadoras que operam com contratos de longa duração e não possuem mecanismos de reajuste adequados às oscilações do combustível.

“O diesel é um dos principais componentes do custo de uma operação de transporte e sua variação pode alterar rapidamente a margem de um contrato. Quando temos, ao mesmo tempo, mudanças nos custos operacionais e uma transformação na estrutura tributária, não dá para tratar a formação do preço como algo estático”, afirma Rafael Brito, CEO da consultoria Rumo Brasil.

Para evitar perdas, a revisão dos contratos deve considerar a participação do combustível nos custos, a quilometragem, as características das rotas, o tipo de carga e os critérios de reajuste.

Reforma tributária também exige atenção

Além do diesel, as transportadoras precisam avaliar os efeitos da reforma tributária sobre os contratos em vigor. A transição para o novo sistema começou em 2026, com mudanças na emissão de documentos fiscais e na preparação das empresas para a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para 2027.

As alterações poderão afetar a composição dos custos, a apropriação de créditos tributários e a formação dos preços do transporte. Para contratos de longa duração, o principal cuidado é estabelecer critérios claros de revisão, evitando que aumentos expressivos de custos ou mudanças tributárias comprometam a prestação dos serviços.

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