Diretor do Dnit investigado por desvio de recursos do INSS pediu exoneração após permanecer no cargo com tornozeleira eletrônica
O diretor de Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Marcos de Brito Campos Júnior, pediu exoneração do cargo nesta sexta-feira (9), após reportagem do Metrópoles revelar que ele continuava exercendo a função mesmo usando tornozeleira eletrônica, por determinação do STF.
Na sua decisão, o ministro André Mendonça do STF, relator do caso, destacou: “Há indícios nos autos de que servidores como Marcos atuavam como elementos intermediários entre os operadores financeiros e a estrutura pública; canais internos para assegurar a fluidez das ações ilícitas; responsáveis por impedir que falhas ou obstáculos administrativos prejudicassem a continuidade dos descontos indevidos.”
O fato de usar de despachar no órgão, com orçamento de R$ 11 bilhões e utilizando tornozeleira eletrônica por determinação, não motivou o ministro dos Transportes, Renan Filho, a demiti-lo. Mesmo após operação da Polícia Federal e decisão do STF ele continuou no cargo.
Marcos é investigado pela Polícia Federal por participação em um esquema de desvio de recursos de aposentados do INSS, apurado na Operação Sem Desconto, deflagrada em 18 de dezembro de 2025. Segundo a PF, ele teria auxiliado Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, durante a gestão deste como superintendente do instituto no Nordeste.
De acordo com a investigação, passagens aéreas em nome do diretor teriam sido custeadas por uma empresa de fachada ligada ao esquema, além de indícios de pagamento de R$ 20 mil pelos serviços prestados. A Polícia Federal classificou Marcos como um dos “agentes centrais da engrenagem criminosa”.
A exoneração ainda não foi formalizada, mas foi confirmada por servidores do Ministério dos Transportes. Marcos teria informado que deixará o cargo para se dedicar integralmente à sua defesa, abrindo mão de um salário mensal de cerca de R$ 23 mil.
A PF chegou a solicitar a prisão preventiva do servidor, mas o pedido foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que optou por impor medidas cautelares, como monitoramento eletrônico e proibição de contato com outros investigados.
O Dnit é a autarquia responsável pela infraestrutura federal de transportes terrestres e aquaviários e administra um orçamento de R$ 11 bilhões em 2026.
Ponte desabou por falta de manutenção e recursos matando ao menos 14 pessoas
Em dezembro de 2024 a ponte da BR-226 na fronteira entre Maranhão e Tocantins desabou causando 14 mortes e pelos menos três desaparecidos. Várias denúncias destacavam a precariedade da mesma e um vereador da região filmou o desabamento.
A suposta falta de recursos para manutenção da ponte desabou, assim como a mesma, porque imediatamente o governo liberou recursos para construção da nova. No mês passado, foi inaugurada a nova ponte, com gastos de R$ 171 milhões. Os recursos emergiram com a repercussão da tragédia, assim como os corpos das vítimas da incompetência.
Fonte: Jornal Metrópoles
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