Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Unesp e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) constatou que, em média, 110 atropelamentos de animais silvestres são registrados por mês no trecho entre Brotas e São Carlos da Rodovia Antônio Machado Sant Ana (SP-255). A pesquisa mapeou a mortalidade nas rodovias que cortam matas nativas e mostrou que certas medidas, como cerca guia para os animais irem por passagens subterrâneas, poderiam evitar os acidentes.

Apesar dos avisos de animais selvagens nas pistas, nem sempre é possível evitar o atropelamento. Várias espécies como a jaguatirica, o tamanduá e o veado são vítimas.

Um levantamento feito em rodovias da região central do Estado de São Paulo mostra que o atropelamentos de animais é frequente. Na SP-255, cerca de 70 mamíferos morrem por mês. O biólogo da UFSCar Giordano Ciocheti participou da pesquisa. “O que pode causar a extinção desses animais aqui provavelmente são os atropelamento. Para se ter uma ideia, um atropelamento de jaguatirica, que todo mês tem aqui, acaba com 3,3% da população da espécie. Então em pouco tempo uma população poderia ser extinta na região.

Para diminuir o impacto ambiental e o risco de atropelamentos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) exigiu da concessionária que administra a rodovia algumas medidas. Entre elas, a implantação de uma cerca guia, que direciona os animais até passagens subterrâneas.

Os pesquisadores posicionaram câmeras que filmam no escuro e registraram os benefícios da cerca. Nas imagens, é possível ver que alguns conseguem se livrar do risco de acidentes. A capivara, por exemplo, acompanha os filhotes na travessia. O veado catinguero, ameaçado de extinção, e um lagarto também atravessam a pista por baixo. “Essa é ideal para animais de médio porte e que são terrestres, que não utilizam água para se deslocar”, afirmou Ciocheti.

Na mesma rodovia, é possível encontrar um exemplo de acesso mal feito. “A passagem inteira está tomada pela água. Então os animais que não andam nessas áreas que tenha água não conseguem atravessar. O lobo, a jaguatirica e a onça parda vão preferir sair da passagem e atravessar por cima da estrada, aumentando o número de atropelamentos”, ressaltou o pesquisador.

O problema, segundo Ciocheti, é que ainda não existe uma lei para definir como as passagens de animais devem ser construídas. “Falta o governo gastar um pouco mais de dinheiro em pesquisa em ecologia de estradas, que é bem avançada no exterior e aqui é bem fraco, e criar uma legislação que mostre o que realmente acontece com a duplicação e a criação de estradas e o meio ambiente”, disse.

A Centrovias, que administra o trecho da SP-255, informou que desenvolve um programa com passagens subterrâneas para animais silvestres e sinalização dos locais de maior incidência de atropelamentos. Também disse que está disposta a avaliar tudo o que pode contribuir para a segurança nas estradas e preservação do meio ambiente.

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