Um relatório do DER do Paraná aponta que as obras de asfaltamento da Estrada do Cerne (PR-090), que liga a Região Metropolitana de Curitiba ao Norte do Paraná, já avançaram em 9 dos 16 quilômetros que formam a primeira fase da pavimentação da rodovia. Os serviços vêm sendo executados pelo 10º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército por intermédio de um acordo firmado com o governador Roberto Requião. A obra, iniciada em fevereiro, está recebendo investimentos de R$ 8,7 milhões.

De acordo com o secretário dos Transportes e diretor-geral do DER, Rogério Tizzot, o andamento dos serviços é satisfatório. “Dois quilômetros de capa asfáltica – incluindo pista e acostamentos – já foram concluídos e há 7 quilômetros de terraplenagem também prontos. A previsão é para que a via esteja pavimentada até o início do segundo semestre de 2007”, informou.

O Exército trabalha em duas frentes. Nos primeiros 16 quilômetros dos 123 quilômetros da rodovia que ainda não possuem asfalto, no trecho entre Campo Largo, Campo Magro e a segunda ponte do Rio do Cerne. E executa também o projeto final de engenharia que vai possibilitar a continuação das obras de pavimentação em mais 20 quilômetros da estrada.

Economia – O secretário destacou ainda os benefícios que devem ser gerados para a economia do Estado com a finalização da obra. Além de movimentar a região, que hoje depende quase que exclusivamente da indústria madeireira e de calcário, o novo caminho cria alternativa para os motoristas que não quiserem pagar o pedágio da BR-376, em direção ao Norte do Paraná.

“É uma via que tem uma importância enorme para a economia do Paraná. Além de facilitar a ligação entre do Norte do Estado com a Região Metropolitana de Curitiba, a pavimentação criará uma opção para os motoristas que não quiserem trafegar pela rodovia pedagiada”, ressaltou, lembrando que a implantação da Estrada do Cerne é um dos mais antigos pleitos do setor de cargas no Estado.

Histórico – A Estrada do Cerne foi a principal obra da década de 1930, época em que foi considerada “a maior rodovia que se construiu no Paraná em todos os tempos”. Faz a ligação entre o Sul e o Norte do Estado, passando por diversos municípios, entre eles Curitiba, Campo Magro, Piraí do Sul, Ventania, São Jerônimo da Serra, Jataizinho, Bela Vista do Paraíso e Alvorada do Sul, já na divisa com São Paulo.

Durante 20 anos, a Estrada do Cerne se tornou uma das principais vias de escoamento da produção agrícola, notadamente o café, que antes era em grande parte exportado pelo Porto de Santos, através da Estrada de Ferro Sorocaba, e passaria, desde a década dos anos 40, a movimentar o Porto de Paranaguá.

Os reflexos da via na região de sua zona de influência foram imediatos. Três grandes empreendimentos industriais foram erguidos ao longo e nas imediações da nova estrada: uma indústria de papel, a exploração em grande escala do carvão paranaense em Figueira e a usina de açúcar em Porecatu, que atraíram capitais paulistas sob o estímulo das facilidades criadas pelo interventor Manoel Ribas.

O Paraná não só cresceu como celeiro agrícola e maior exportador de café do Brasil, como também se industrializou a passos largos, transformando o Porto de Paranaguá no mais importante do País.

No início dos anos 60, com a abertura da Rodovia do Café, inteiramente asfaltada entre Ponta Grossa e Apucarana, o tráfego mais intenso deixou de lado a Estrada do Cerne, que começou a perder a importância, juntamente com
quase toda a região por ela servida.

Além disso, o deslocamento da fronteira agrícola após saltar o rio Tibagi e de expandir para o Nordeste e o extremo Oeste provocou e esvaziamento econômico e demográfico da área. Hoje, com a revitalização da estrada, o governo do Estado pretende voltar a fortalecer a economia da região.