Resultados das perícias no veículo, tacógrafo e local do acidente foram divulgados hoje

A falta do equipamento conhecido como freio motor, o excesso de velocidade e o desconhecimento da região pelo motorista foram apontadas pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) como as causas do acidente com um ônibus argentino na BR-282 em 19 de abril. O acidente, no trecho da rodovia em Rancho Queimado, na Grande Florianópolis, provocou a morte de oito pessoas.

Os resultados das perícias feitas no ônibus, no tacógrafo (equipamento que registra a velocidade do veículo) e no local do acidente foram divulgadas pelo IGP na manhã desta quarta-feira.

Os exames feitos no tacógrafo indicam que o ônibus estava a 87 quilômetros por hora (km/h) quando saiu da pista, no km 65 da BR-282. O limite de velocidade do trecho da rodovia onde ocorreu o acidente é de 40 km/h.

O disco diagrama dentro do tacógrafo registrou movimentos anormais, provavelmente resultantes de choques com árvores e capotagens, e a velocidade diminuiu até 40 quilômetros por hora. Neste ponto o tacógrafo parou de funcionar, provavelmente por causa do acidente.

O estudo do tacógrafo e do local do acidente também levou os peritos a descartarem a possibilidade de que o ônibus tenha colidido com outro veículo, como o motorista Daniel Meza havia contado à polícia.

Freio motor

Segundo a perícia, o ônibus não tinha freio motor, o que sobrecarregou os freios e fez com que eles falhassem. Este fato também havia sido relatado pelo motorista.

O freio motor é obrigatório no Brasil. O IGP pretende sugerir à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que seja feita uma inspeção em todos os veículos estrangeiros que entrem no país.

O ônibus argentino também apresentava outros problemas que podem ter influenciado no número de mortos e feridos no acidente. A carroceria tinha 15 anos e foi colocada sobre outro chassi. Os bancos foram fixados sobre uma barra de alumínio, o que não é recomendado. Além disso, não havia cintos de segurança em todos os bancos.

Investigação

O delegado Alessandro Isopo, da delegacia de Santo Amaro da Imperatriz, que investiga o caso, informou nesta terça-feira que deve finalizar o inquérito somente na semana que vem. Ele ainda aguarda os resultados dos laudos cadavéricos. Anteriormente, a previsão era de que o inquérito fosse encaminhado à Justiça até esta quinta-feira.