TRISTEZA: Colisão entre automóvel e carreta deixou casal e filho, de 9 anos, mortos na BR-153 em Goiás. Foto: Divulgação/PRF

Nas rodovias federais ocorreram 83 mortes e nas estaduais de São Paulo foram 19. Além disso, foram registrados 1.079 feridos em acidentes (sinistros) nas rodovias federais e outros 326 nas estaduais paulistas, totalizando 1.405 vítimas, em apenas quatro dias de operação. Números expressivos porque não incluem ainda os dados de outras 26 unidades da federação. 

O começo da Operação Rodovida nas rodovias federais não foi nada animador, principalmente quanto ao principal objetivo que é preservar vidas. O Natal deste ano, foram 83 mortes contra 70 registradas em 2020. Já o número de feridos passou de 1.043 para 1.079 em 2021. Isso, apesar de a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informar que o total de sinistros caiu de 791 para 732.

Pelos números de 2021, foi 1 morte para cada 8,8 sinistros. No ano anterior, foram 11,3 sinistros para cada vítima fatal. A média de feridos também aumentou. Em 2020, era 1,31 ferido para cada caso, e em 2021, passou para 1,47. Esse cenário talvez possa ser explicado pelo aumento médio da velocidade no momento da ocorrência por conta da redução na fiscalização da velocidade.

Rodovias paulistas têm média de gravidade muito menor

As melhores condições das rodovias paulistas, com grande parte da malha duplicada e efetivo da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) maior que a da PRF na Operação de Natal, em proporção â malha rodoviária federal, pode explicar gravidade menor dos sinistros nas rodovias paulistas.

Os 512 acidentes registrados deixaram 19 mortos, o que representa praticamente 27 acidentes para uma vítima fatal, 1/3 da média nas rodovias federais. Já quanto aos feridos, a média paulista é de 0,63 feridos por sinistro, menos da metade dos 1,47 feridos nas rodovias federais.

Polícia Militar Rodoviária de SP tem números melhores na fiscalização

Nos quatro dias de operação nas rodovias federais, em praticamente 70 mil quilômetros foram foram fiscalizados 127.320 veículos. Para esta operação, que se iniciou no dia 23 e finalizou no dia 26 de dezembro, foram empregados especificamente 7.159 policiais.

Já a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de São Paulo informa ter utilizado 3.500 policiais para fiscalizar 22 mil quilômetros da malha paulista. Enquanto a PRF aplicou 32.848 multas a PMRv lavrou 52.368 autos de infração. A PRF multou 3.779 por falta do uso do cinto e a PMRv 8.213, mais que o dobro.

A PRF aplicou 30.144 testes de alcoolemia contra 27.682  da polícia paulista, indício de fiscalização mais efetiva por policial e malha rodoviária. A PRF identificou 1.143 casos de alcoolemia (inclui 100 que se negaram a fazer o teste). Já a PMRv puniu 1.354 condutores por dirigirem sob efeito de álcool ou negarem o teste.

A diferença a favor da PRF, até em função do percentual de rodovias duplicadas em São Paulo, está nas multas por ultrapassagem em local proibido. A PRF flagrou 4.822 casos  e nas rodovias paulistas foram apenas 1.454 casos.

PRF não informa as multas por excesso de velocidade

Desde que o presidente Jair Bolsonaro insinuou que os policiais rodoviários federais fazem parte da indústria da multa, a PRF não informa mais quantas multas foram aplicadas por excesso de velocidade.

Nas rodovias paulistas, das 52.368 multas aplicadas, 27.782 foram por excesso de velocidade. Já no balanço do feriado de Natal, a PRF informa apenas que aplicou 32.848 multas mas não específica os casos de excesso de velocidade. Menciona apenas cinto de segurança, capacete, ultrapassagem em local proibido e alcoolemia. Na Operação de Natal de 2018, última do gênero que com dados disponíveis sobre excesso de velocidade, a PRF aplicou nada menos que 72.725 multas por excesso de velocidade.

Fica evidente, conforme o Estradas já demonstrou em vários levantamentos, que a fiscalização do excesso de velocidade deixou de ser prioridade para a PRF, depois que o presidente criticou a atuação policial na fiscalização com radares.

Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, apesar do esforço da PRF em reverter o aumento da violência no trânsito nas rodovias brasileiras, o governo federal assumiu a responsabilidade de andar na contramão da gestão de velocidade.

“É importante lembrar que de 16 de agosto de 2019 até 23 de dezembro do mesmo ano, a PRF foi proibida de usar os radares para flagrar os potenciais assassinos do trânsito, que dirigem em alta velocidade colocando vidas em risco. Foram mais de quatro meses sem que nenhum motorista fosse multado por excesso de velocidade nas rodovias federais pela PRF. Hoje a corporação aplica menos de 1/3 das multas por excesso de velocidade em relação aos anos anteriores a 2019 e a média de mortos vem crescendo.”

Além disso, tivemos a Resolução 798/20 que favorece os infratores, já que obriga a autoridade a informar todos os locais onde poderá estar presente a fiscalização de radares fixos e principalmente os portáteis.

“Indicar onde estão os radares fixos é absolutamente coerente, pois o foco é reduzir a velocidade naquele ponto crítico. Entretanto, informar onde poderá ter a fiscalização de surpresa contraria o bom senso, a gestão inteligente do controle de velocidade e até mesmo a atividade policial. É uma Resolução sem fundamentação técnica, tanto que já solicitamos os estudos que a justifiquem e há mais de ano estamos aguardando por eles. Foi apenas uma medida para atender o presidente mas a responsabilidade das consequências é de quem assinou a norma”, explica Rizzotto.

2 COMENTÁRIOS

  1. Sou Bolsonarista nato, mas repudio sua decisão de não cobrar dos motoristas a obediência a altas velocidades e a proibição de radares.

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