Motoristas agora não foram mais multados por excesso de velocidade nas rodovias federais pela PRF

Entre janeiro e março do ano passado, 1.195 pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais; resultando numa média mensal de 398 vítimas fatais. Tendência de queda, já que entre janeiro e março de 2018 foram 1.285 mortos , média mensal de 428 vítimas fatais por mês. Nos nove meses posteriores de 2019, de abril a dezembro, o total de mortos foi de 4.137; portanto, média mensal de 460 mortos; um aumento de 15% , conforme havia sido previsto pelo SOS Estradas em novembro de 2019. A curva mudou, ou seja, aumentaram os mortos e feridos, após a política do governo de desligamento de radares e lombadas eletrônicas em abril do ano passado e a retirada dos radares portáteis da Polícia Rodoviária Federal entre agosto e dezembro.

2019 MORTOS MÊS FERIDOS MÊS
JAN/MAR 398 6.202
ABRI DEZ 460 6.716

Fonte: PRF e SOS Estradas

O número de feridos também aumentou. A média mensal era de 6.202 nas rodovias federais e passou para 6.716 a partir de abril, aumento superior a 8% por mês. É importante lembrar que foi justamente em abril que, por determinação da presidência da República, foram desligados os radares e as lombadas eletrônicas nas rodovias federais. Uma parcela foi mantida por decisão judicial.

A situação piorou quando, entre 16 de agosto e 23 de dezembro, a PRF não multou nenhum condutor por excesso de velocidade em todo território nacional, porque não podia usar os radares por determinação da presidência. Decisão revertida pela Justiça Federal que obrigou a volta dos radares portáteis em 23 de dezembro. Mas ainda não se sabe se a PRF está multando ou apenas recebeu os equipamentos.

Caso tivesse mantido a tendência de média mensal de mortos e feridos do primeiro trimestre de 2019, pode-se estimar que teríamos 4.776 mortos e não 5.332 como indicam os números da PRF e que devem ainda aumentar quando finalizados os dados de 2019. O número de feridos também seria menor. Pode-se estimar que ao invés dos 79.051 seriam 74.424. Portanto, 556 mortos e 4.627 feridos a menos do que foram registrados, simplesmente mantendo a política que o governo seguia até março.

Conforme havíamos previsto, é a primeira vez que a curva de mortos e feridos nas rodovias federais muda negativamente após sete anos de queda. Na avaliação do Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, a responsabilidade é da política da presidência da República. “Não há nenhum estudo que justificasse a medida de desligamento de radares e recolhimento dos utilizados pela PRF. Foi uma decisão do presidente da República que agora deve explicações à sociedade e principalmente às vítimas e a seus familiares.”

A média de mortos, considerando os três primeiros meses de 2019 e os dois últimos meses do ano, passou de 398 por mês para 496; um aumento de 24%; enquanto a média de feridos aumentou 16%. O que indica que a certeza da impunidade estimulou os infratores e as consequências apareceram em mais mortos e feridos.

2019 Média/mês Total mortos Feridos/Mês Total Feridos
JAN/MAR 398 1.195 6.202 18.608
ABRI/OUT 449 3.145 6.579 46.055
NOV/DEZ 496 992 7.194 14.388
Total 5.332 79.051

Fonte:PRF e SOS Estradas

Os dados são ainda mais eloquentes quando analisados comparando a média de 2017, 2018 e 2019. Fica evidente que o governo estava no caminho certo, analisando os dados do primeiro trimestre de 2019. A partir de abril, sem nenhum fundamento técnico, estudos ou qualquer dado que o apoiasse, resolveu entrar na contramão.

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