Uma colisão frontal entre um automóvel e uma carreta carregada provocou a morte de um motorista de 23 anos e de sua filha, de 1 ano e 11 meses na BR-163, em Sonora(MS).
Mesmo com menos acidentes que em outras operações, número de vítimas fatais foi maior. PRF não restringiu circulação de veículos de carga de grandes dimensões nas pistas simples, medida cuja ausência já havia sido questionada pelo Estradas.com.br.
O feriado prolongado de Finados terminou com 71 mortos e 894 feridos em 881 acidentes nas rodovias federais, segundo balanço preliminar divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta terça-feira (3). Os números abrangem os quatro dias de operação, de sexta-feira (30 de outubro) até segunda-feira (2 de novembro).
O total de vítimas fatais foi superior ao registrado em outros quatro feriados prolongados de quatro dias de 2026: Semana Santa, Dia do Trabalho, Independência e Nossa Senhora Aparecida.
O resultado chama a atenção também porque, durante Finados, a PRF não estabeleceu restrições especiais à circulação de caminhões e combinações de veículos de grandes dimensões nas rodovias federais de pista simples, apesar de reconhecer, em seu próprio calendário de restrições, que a medida busca reduzir o risco de acidentes graves nos períodos de maior movimento.
Finados teve o maior número de mortes entre os feriados comparados
Os balanços oficiais da PRF permitem comparar os resultados de operações com a mesma duração.
Feriado de 2026DiasAcidentesMortesFeridos
Semana Santa480857814
Dia do Trabalho488360954
Independência41.031661.074
Nossa Senhora Aparecida492668969
Finados488171894
Fontes: balanços nacionais da PRF para 2026. Dados de Finados podem ser alterados.
Em comparação com a Semana Santa, Finados registrou 24,6% mais mortes. O aumento foi de 18,3% em relação ao Dia do Trabalho, 7,6% sobre a Independência e 4,4% em comparação com Nossa Senhora Aparecida.
Outro aspecto preocupante é que o número de acidentes em Finados foi inferior ao registrado na Independência e em Nossa Senhora Aparecida, mas o total de mortes foi maior.
Os dados sugerem maior gravidade das ocorrências em termos de vítimas fatais por acidente registrado. Entretanto, ainda não permitem avaliar as causas dessa diferença, pois não estão disponíveis informações consolidadas sobre tipos de colisão, veículos envolvidos, exposição ao tráfego e características dos trechos onde ocorreram os acidentes.
PRF liberou veículos pesados nas pistas simples
Antes do feriado, o Estradas.com.br alertou para os riscos da ausência de restrições à circulação de combinações de veículos de carga de grandes dimensões em rodovias federais de pista simples.
Em fevereiro, ao divulgar o calendário de 2026, a própria PRF explicou que as restrições têm a finalidade de melhorar a segurança e a fluidez durante feriados, quando há aumento significativo da circulação de veículos leves.
A medida normalmente impede, em horários determinados, a circulação de veículos que excedam determinados limites, como 19,80 metros de comprimento ou 58,5 toneladas de Peso Bruto Total Combinado.
Não se trata, portanto, de proibir todos os caminhões, mas de restringir temporariamente a circulação de combinações de maior porte, como determinados bitrens, rodotrens e cegonhas, observadas as exceções previstas na regulamentação.
A Portaria DIOP/PRF nº 26/2026 e suas alterações estabeleceram restrições para vários feriados, mas não incluíram Finados. A ausência da data também ocorreu em calendários de anos anteriores.
Nas rodovias de pista simples, o compartilhamento da via entre automóveis e caminhões longos exige atenção redobrada. As ultrapassagens são especialmente perigosas quando há curvas, aclives, pouca visibilidade e tráfego intenso em ambos os sentidos.
A presença de combinações de grande comprimento pode aumentar o espaço e o tempo necessários para uma ultrapassagem segura, reduzindo as oportunidades de realizar a manobra.
A questão que permanece é por que a PRF considera essa restrição necessária em determinados feriados prolongados, mas dispensa sua aplicação em outros, como Finados.
Os dados divulgados até agora não permitem estabelecer uma relação direta entre a liberação dos veículos pesados e as 71 mortes. Para isso, seria necessário conhecer quantos acidentes envolveram caminhões e combinações de grande porte, em quais tipos de rodovia ocorreram e quais foram as causas identificadas.
Ainda assim, o resultado reforça a necessidade de a PRF apresentar os critérios técnicos utilizados na definição dos feriados sujeitos às restrições.
Quase 17 mil multas por excesso de velocidade
O balanço da Operação Finados revela que muitos motoristas continuaram adotando comportamentos de alto risco.
Durante os quatro dias de fiscalização, a PRF registrou:
InfraçãoRegistros
Excesso de velocidade17.063
Ultrapassagens irregulares3.947
Falta de cinto de segurança2.466
Uso de celular ao volante408
Embriaguez ou recusa ao bafômetro920
Foram realizados 47.928 testes de alcoolemia, que resultaram na detenção de 59 pessoas por dirigir embriagadas. A corporação fiscalizou 58.229 veículos e 72.899 pessoas.
O número de ultrapassagens irregulares merece atenção especial, pois esse comportamento pode provocar colisões frontais, frequentemente associadas a acidentes de elevada letalidade.
Em rodovias de pista simples, o risco é agravado pela ausência de separação física entre os veículos que circulam em sentidos opostos.
Acidentes graves marcaram o feriado
Entre os acidentes destacados pela PRF está uma ocorrência envolvendo diversos veículos na BR-116, em São João de Meriti (RJ), na sexta-feira (30).
No domingo (1º), uma colisão entre dois automóveis na BR-277, em Palmeira (PR), deixou quatro pessoas mortas.
Também no domingo, uma colisão frontal entre uma Fiat Strada e uma carreta que transportava produto perigoso matou duas pessoas na BR-070, em Nossa Senhora do Livramento (MT). O impacto provocou o tombamento do veículo de carga e vazamento do produto transportado.
As ocorrências ilustram a gravidade dos acidentes registrados durante o período, embora ainda não exista levantamento consolidado que permita identificar a participação de veículos pesados no total das mortes.
Faltam explicações sobre a ausência das restrições
Os resultados da Operação Finados reforçam a importância de avaliar os critérios adotados pela PRF para estabelecer restrições à circulação de veículos de grandes dimensões.
Não basta informar quantas multas foram aplicadas ou quantos acidentes ocorreram. É fundamental verificar se as medidas preventivas utilizadas em outros feriados contribuem efetivamente para reduzir a gravidade dos acidentes.
O Estradas.com.br considera necessário que a corporação esclareça por que não houve restrições em Finados e apresente informações sobre a participação de veículos de carga nos acidentes fatais.
Também seria importante saber quantas das 71 mortes ocorreram em rodovias de pista simples e quantas estavam relacionadas a colisões frontais, ultrapassagens indevidas ou outros conflitos envolvendo veículos de grande porte.
A comparação com outros feriados mostra que Finados foi o mais letal entre as cinco operações de quatro dias analisadas, mesmo não tendo registrado o maior número de acidentes.
Os números não comprovam que a ausência das restrições tenha provocado mais mortes. Entretanto, evidenciam a necessidade de avaliar se todas as medidas de prevenção disponíveis foram adequadamente consideradas.
Além da fiscalização dos motoristas, a segurança rodoviária depende de decisões operacionais, condições da infraestrutura e planejamento dos períodos de tráfego intenso.
Observação: todos os dados da Operação Finados são preliminares e poderão ser atualizados pela PRF após a consolidação dos registros.

Leia também:

PRF libera circulação de veículos pesados no feriado de Finados e decisão levanta dúvidas sobre segurança nas rodovias

Deixe um comentário

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui