
Planos de Zucco, Moro e Jorginho Melloapresentam propostas para infraestrutura rodoviária, mas nenhum estabelece meta própria de redução da mortalidade, apesar dos compromissos com o Pnatrans( Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito)
Os três governadores eleitos da Região Sul: Luciano Zucco (Rio Grande do Sul), Sergio Moro (Paraná) e Jorginho Mello (Santa Catarina), todos do PL, apresentam propostas de investimentos em rodovias nos programas de governo para 2027 a 2030.
Entretanto, nenhum dos documentos analisados estabelece uma meta numérica específica para reduzir as mortes no trânsito. A ausência chama a atenção porque o Brasil possui o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que estabelece como objetivo reduzir pela metade, até 2030, o índice de mortes no trânsito por 100 mil habitantes, em comparação com 2020.
Rio Grande do Sul: Zucco promete reduzir mortes nas rodovias
O programa de Luciano Zucco é explícito ao apresentar a proposta “Reduzir mortes e gargalos nas rodovias”, na página 58. O documento prevê priorizar obras com base em dados de acidentes, incluindo duplicações, terceiras faixas, correções de traçado, acostamentos, travessias e melhorias na sinalização.
A proposta relaciona diretamente os investimentos à redução da mortalidade rodoviária. Entretanto, não informa quantas mortes pretende evitar, nem estabelece indicadores específicos para acompanhar os resultados.
Paraná: Moro propõe obras para diminuir acidentes
No Paraná, o programa de Sergio Moro apresenta a iniciativa “Rodovias para o Desenvolvimento”, com investimentos em conservação, ampliação da capacidade das estradas e implantação de contornos urbanos.
O documento prevê expressamente obras que aumentem a segurança viária e reduzam acidentes, além do cumprimento dos investimentos previstos nos contratos de concessão.
Embora reconheça a importância da prevenção, o plano não apresenta uma meta quantitativa de redução de mortes.
Santa Catarina: Jorginho Mello prioriza obras rodoviárias
O programa de reeleição de Jorginho Mello concentra suas propostas na continuidade e ampliação de investimentos em infraestrutura.
Entre os compromissos estão o programa Estrada Boa, a melhoria da malha estadual, obras de duplicação e a implantação da ViaMar, corredor planejado para oferecer uma alternativa à BR-101.
Apesar dos possíveis benefícios dessas intervenções à circulação, não foi identificada no programa uma meta específica de redução das mortes no trânsito.
Pnatrans estabelece compromisso de reduzir mortes até 2030
Instituído pela Lei nº 13.614/2018 e atualizado posteriormente, o Pnatrans prevê metas para a União, estados e municípios, com o objetivo de reduzir em pelo menos 50% a taxa de mortes no trânsito até 2030.
O plano estabelece responsabilidades para os integrantes do Sistema Nacional de Trânsito e prevê acompanhamento dos resultados.
Em julho de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou uma auditoria que identificou problemas na coordenação, no monitoramento e nos indicadores utilizados para avaliar a execução do Pnatrans.
Diante desse cenário, os novos governadores terão o desafio de transformar as promessas de obras rodoviárias em resultados mensuráveis de segurança.
O questionamento é simples: quantas mortes cada governo pretende evitar até 2030 e quais recursos serão destinados especificamente a esse objetivo?
Para o Estradas.com.br e o movimento SOS Estradas, a melhoria das rodovias deve ser acompanhada de um compromisso permanente com a preservação de vidas. Construir e recuperar estradas é importante, mas reduzir o número de vítimas precisa ser um dos principais indicadores de sucesso das políticas públicas.













