Sem fiscalização, motoristas cometem as mais absurdas infrações nas estradas. Na BR-381, flagrantes de manobras imprudentes e de desprezo ao perigo e à vida

“Se houver uma situação irregular, vamos multar, mas não vamos sair por aí procurando motorista infrator.” Com essa declaração, a presidente do Sindicato da Polícia Rodoviária Federal em Minas, Maria Inês Miranda, resumiu o abandono das rodovias federais no estado, domingo, devido à paralisação de advertência da categoria. O Estado de Minas percorreu a BR-381 de Belo Horizonte até Nova União, na Região Central, e viu apenas um patrulheiro fiscalizando os motoristas: o inspetor Aristides Júnior, que é assessor de imprensa da corporação e foi designado, com outros do setor administrativo, para fazer o serviço dos colegas que cruzaram os braços.

Sem a presença da PRF nas estradas, motoristas, inclusive de caminhão, aproveitaram para abusar da imprudência. No início da tarde, houve engarrafamento de quilômetros e muitos apressados transformaram o acostamento numa pista de rolamento, sem se preocupar com a multa de R$ 575, caso fossem flagrados. Em Nova União, um caminhão-tanque ultrapassou vários veículos num trecho de faixas contínuas e amarelas. Outros, que seguiam no sentido contrário, ficaram assustados e quase houve uma tragédia. O trânsito na BR-381 começou a ficar complicado por volta do meio-dia, com milhares de veículos retornando, principalmente das praias do Espírito Santo e do Sul da Bahia. Às 14h, 27 veículos passavam por minuto sobre a ponte do Rio das Velhas, sentido BH.

O inspetor Júnior disse que funcionários do setor administrativo foram deslocados para o “asfalto”, sem querer comentar a paralisação. “Só a Federação da Polícia Rodoviária Federal, que propôs a paralisação, pode falar”, disse. Para o setor administrativo, segundo ele, continuava valendo a escala para o feriado, de 750 policiais do estado e outros 50 de Brasília. “Aqueles que não cumprirem a escala, a administração depois vai ver quais providências serão tomadas”, acrescentou o inspetor.

Carros parados

Para a presidente do sindicato da categoria em Minas, não se trata de greve, mas de um dia de manifestação. “O domingo foi escolhido pela comissão nacional de greve como o dia do repúdio contra a falta de compromisso do governo federal com a PRF”, afirmou. Domingo, segundo ela, não houve fiscalização nas estradas e todas os carros-patrulha não saíram dos 50 postos da PRF em Minas, saindo apenas em casos de emergência. No posto de Sabará, na Grande BH, nove policiais ficaram de plantão, sem sair para a estrada, a não ser em caso de acidente grave, como um capotamento em Nova União, que não teve mortes.