Os interventores militares nomeados pelo Governo do Paraná para fiscalizar as concessionárias de rodovias que cortam o estado começam a atuar efetivamente neste sábado (6). A medida foi tomada por decreto após a deflagração de operações, no âmbito da Lava Jato, que apuram irregularidades no Anel de Integração do Paraná.

Os interventores tem como objetivo fiscalizar as concessionárias, garantir o acesso das autoridades aos documentos necessários e implementar mecanismos para quantificar o tráfego de veículos nas praças de pedágio e disponibilizar relatórios diários.

No primeiro momento, a ação dos coronéis interventores acontece nas praças de pedágio da Rodonorte, em São Luis do Purunã; Caminhos do Paraná no Relógio, em Prudentópolis, da Ecocataratas, em Cascavel e São João; da Viapar, em Marialva e Econorte, em Jataizinho.

Os dados coletados serão compartilhados com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, o Departamento de Estradas de Rodagens do Estado (DER), Procuradoria Geral do Estado e com a Controladoria Geral do Estado (CGE) no chamado Comitê da Intervenção.

Operação Integração

A 55ª fase da Operação Lava Jato – Operação Integração II – foi deflagrada em 26 de setembro, no Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. A ação apura casos de corrupção ligados aos procedimentos de concessão de rodovias federais no Estado do Paraná que fazem parte do chamado Anel da Integração. Foram cumpridos 73 mandados de busca e apreensão, 3 mandados de prisão preventiva e 16 mandados de prisão temporária.

Foram identificados os núcleos político, técnico, empresarial e de operadores financeiros. O esquema teria movimentado  R$ 35 milhões em propinas, entre os anos de 1999 e 2015, sem a atualização monetária.

Um dos alvos da operação é o empresário Luiz Abi Antoun, primo de Beto Richa. Ele foi um dos presos da Operação Rádio Patrulha, no dia 11 de setembro e solto três dias depois após uma determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Também estão na lista o diretor da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias, João Chiminazzo Neto, e o ex-secretário de Infraestrutura do Paraná e irmão de Beto Richa, Pepe Richa.

Os investigados responderão pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa, dentre outros.

Na noite da última sexta-feira (5), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes acatou a liminar da defesa de Pepe Richa e determinou a soltura de todos os presos da operação. A força-tarefa da Lava Jato criticou a decisão.

A partir da deflagração da primeira fase da Operação Integração, com o avanço das investigação, a análise de todas as provas reunidas, os dados reunidos e acordos de colaboração premiada firmados por alguns investigados foi possível identificar a existências de núcleos específicos e organizados que atuavam de forma criminosa para explorar e obter benefícios indevidos a partir dos contratos de concessão de rodovias federais no Paraná.

Fonte: www.paranaportal.uol.com.br

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