Um acidente com três vítimas de uma mesma família pôs fim ontem a um casamento que durou apenas três dias. Leonardo Antônio Machado Teres, 25 anos, um dos mortos, havia casado no sábado, em Santa Maria, com Tais Madeira Teres, 19 anos. Também morreram na colisão uma tia e uma avó da jovem: Maria dos Santos Madeira, 72 anos, e sua filha, Rosa Maria dos Santos Madeira, 43 anos.
As três vítimas estava em um Corsa atingido na tarde de ontem, na rodovia Santa Maria-São Pedro do Sul (BR-287), por uma carreta com 24 toneladas de madeira. A quarta passageira do automóvel, Marli Madeira da Rosa, 35 anos, também filha de Maria, foi socorrida e estava em observação no Hospital de Caridade sem risco de vida.
O acidente ocorreu às 13h20min, em um trecho urbano da rodovia, 10 minutos depois de um atropelamento que deixou o trânsito lento. O motorista da carreta, Thomas Schoninger, 24 anos, que trafegava na rodovia no sentido bairro-Centro, contou que, para desviar de um caminhão que andava muito devagar à sua frente, invadiu a pista contrária, segundo ele porque não seria possível parar e evitar a colisão. Acabou colidindo com o Corsa conduzido por Leonardo.
– O meu caminhão não freou e, como eu estava na contramão, fui para o acostamento, mas acabei batendo de frente – contou o motorista.
A Polícia Rodoviária Federal fez um teste de bafômetro em Schoninger, que deu negativo. O acidente de ontem serviu para ampliar uma trágica estatística: no primeiro semestre deste ano, foram 88 mortes nas ruas e estradas de Santa Maria e região, 27 a mais do que no mesmo período de 2009.
Segundo um familiar de Tais, a jovem teria pedido a Leonardo que buscasse a avó e a tia , que estavam no Hospital Universitário. A família voltava para casa, no Parque Pinheiro Machado, quando ocorreu a tragédia.
Uma motorista que vinha dois carros atrás do Corsa, Rosane Dostal, 40 anos, afirmou que viu a tragédia de perto e por pouco não se envolveu.
– É como ver alguém esmagando outro. Foi isso que vi. Carro é a pior arma que existe – disse.
Como o trânsito ficou parado cerca de quatro horas e, apenas em alguns intervalos, meia pista era liberada, uma verdadeira multidão de curiosos foi até o local conferir de perto o que estava acontecendo. A aglomeração dificultou o trabalho de bombeiros, policiais rodoviários e peritos do Instituto-geral de Perícias (IGP).
Mãe e filha nasceram em Tupanciretã. Leonardo é de Canoas, na Região Metropolitana. Todos devem ser enterrados hoje, em Santa Maria.




