Como o resultado da perícia do acidente com o cantor sertanejo Cristiano Araújo, a Polícia Civil de Goiás indiciou nesta quinta-feira (10) o motorista Ronaldo Miranda, de 40 anos, pela morte do cantor e da sua namorada,  Allana Moraes, 19.

O acidente ocorreu na madrugada de 24 de junho, na rodovia BR-153, quando o sertanejo voltava de um show em Itumbiara, no sul do estado. Além de Ronaldo e do casal, estava no carro Victor Leonardo, um dos empresários do sertanejo. Allana morreu ainda no local e Cristiano Araújo chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O motorista e o empresário ficaram feridos, mas receberam alta médica dias depois. O carro de Cristiano Araújo capotou por volta das 3h30. O condutor perdeu o controle do veículo 21 minutos após fazer uma parada em um posto de combustíveis, a cerca de 57 km do local do capotamento, o que já indicava o excesso de velocidade.

O motorista do cantor deve responder pelo crime de duplo homicídio culposo – quando não há a intenção de matar – na direção de veículo automotor. Durante a conclusão do inquérito policial sobre o acidente,o delegado Fabiano Jacomelis disse que o crime não é dolo eventual porque Ronaldo não sentiu que estava colocando em risco a vidas dos ocupantes do veículo, apesar de dirigir em excesso de velocidade e que ainda agravou a situação por usar rodas que foram trocadas e estavam soldadas, além de dirigir em excesso de velocidade.

Laudo do Instituto de Criminalística de Goiás aponta que o carro de Cristiano Araújo capotou devido à ruptura de soldas da roda traseira situada do lado direito. Com o rompimento, elas cortaram o pneu, que saiu completamente da estrutura do automóvel. A perícia constatou que somente nessa peça, que não era original e tinha aro 22, havia dez pontos de soldagem feitas com material de má qualidade. Além disso,  Cristiano Araújo e sua namorada estavam sem cinto de segurança o que seguramente contribuiu para a morte de ambos.

A polícia não pediu a prisão de Ronaldo Miranda, pois ele respondeu a todos os atos do inquérito policial. Se condenado, o motorista pode pegar de dois a quatro anos de prisão. Nos depoimentos o motorista confessou que dirigia acima da velocidade permitida na via, que é de 110 km/h. Um relatório técnico da Land Rover, fabricante da Range Rover, carro do cantor, aponta que o veículo estava a 179 km/h no momento do acidente.

Segundo o delegado, o dado do relatório da Land Rover ficou registrado na “caixa preta” do veículo cinco segundos antes do acionamento dos airbags do carro. As informações foram retiradas do módulo e enviadas para a Inglaterra, onde foram analisadas.

“Esse número corrobora com os depoimentos das testemunhas ouvidas no inquérito, inclusive a do próprio motorista, que assumiu estar acima da velocidade permitida”, afirmou o delegado.

 

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