A cobrança do pedágio na estrada BR-163, em Mato Grosso, não enfrenta tanta resistência dos motoristas que trafegam pela rodovia. Com deságio de 52% em relação a preço tarifa-teto proposta pelo governo para a realização do leilão, o preço médio estabelecido foi de R$ 2,64 para cada 100 quilômetros. A cobrança só poderá feita depois que a Odebrecht – empresa vencedora da disputa – concluir 10% da duplicação da quilometragem arrematada.

De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o trecho concedido de 850,9 quilômetro terá nove postos de pedágio ao todo. Os locais deles já foram definidos e vão ficar instalados nas cidades de Itiquira, Rondonópolis, Campo Verde/Santo Antônio de Leverger, Cuiabá/Santo Antônio de Leverger, Acorizal/Jangada, Diamantino, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso. O valor mais barato dos postos foi estimado em R$ 2,10 e o mais caro em R$ 3,60.

“Os buracos na estrada BR-163 são o pior pedágio que pode existir atualmente. Se tudo isso resultar numa rodovia, com eficiência muito maior, com qualidade acima da atual e totalmente duplicada, por exemplo, o pedágio nesse caso não vira um custo, mas um investimento”, afirma Seneri Paludo, diretor executivo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato). “Faz 30 anos que a gente aguarda uma melhoria na rodovia. O que a gente acredita agora é que, com esse processo de privatização, as coisas aconteçam e a qualidade possa melhorar”, afirma Paludo.

Buracos na BR-163

O caminhoneiro Mario Sachi, de 36 anos, não se opõe à cobrança do pedágio, por enquanto. Na quinta-feira, por conta do mau estado da pista, tinha conseguido andar pouco. Saiu às 9 horas de Lucas do Rio Verde, e depois de três horas dirigindo ainda estava em Nova Mutum. “Na BR-163, só faço 500 quilômetros por dia. Em outros lugares, chego a 700 quilômetros no dia”, diz. “Um pedágio aqui pode significar uma pista duplicada em boa parte da rodovia”, afirma Sachi.

Na opinião de Luiz da Silva, de 33 anos e há dois trabalhando como caminhoneiro, se um pedágio ajudar na melhora da qualidade da pista, ele pode ser bem-vindo porque a possibilidade de acidentes vai diminuir. “Todo dia a gente vê acidentes”, afirma.

Diferenças. As diferenças entre a principal estrada de Mato Grosso e as de São Paulo são gritantes, na avaliação de Marcio Lazaro. Ele mora em São Paulo, já foi caminhoneiro e atualmente é dono de caminhões que transportam grãos da região.

“Em alguns casos, a cobrança em São Paulo é um pouco excessiva, mas aqui seria bom se tivesse pedágio. Iria melhorar a qualidade da estrada”, diz. “Em São Paulo, as pistas são duplas, tem mais conforto para dirigir. Mas faz 30 anos que passo por aqui, e a BR-163 continua praticamente a mesma coisa”, afirma Lazaro.

Além do pedágio, o motorista Mauro Alves Viera, de 60 anos, defende a colocação de novos radares ao longo da rodovia para evitar os excessos de velocidade. “Tem muita gente apressada que acaba causando os acidentes”, relata ele, que se refere aos poucos trechos de pista duplicada, o que obriga os motoristas a se arriscarem no momento da ultrapassagem.

Obras. O cronograma de exploração da rodovia também prevê que até o quinto ano será preciso implantar vias marginais em travessias urbanas, passarelas urbanas e também melhorias no acesso. De acordo com a ANTT, a cidade de Rondonópolis também deve ganhar um contorno de 10,9 quilômetros.

Fonte: Agestado

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