Quantidade de acidentes cresceu

Quantidade de acidentes cresceu 12% e número de mortos aumentou 11,3% entre janeiro e outubro, comparado com o mesmo período do ano passado. Segundo presidente do Sindicato dos agentes, greve de 39 dias reduziu fiscalizações

O número de acidentes fatais aumentou 12% no Distrito Federal e o número de vítimas está 11,3% maior este ano, comparado com o mesmo período do ano passado. Os dados, de janeiro a outubro de 2018, apontam que, dificilmente, o governo conseguirá reduzir as estatísticas de mortes nas vias da capital ou mesmo empatar com os resultados obtidos em 2017.

Com uma frota crescente de veículos  — são 1.764.953 registrados — e mais condutores nas ruas, o desafio só aumenta. E, neste ano, dois fatores pesaram: a greve do Detran e a perda de efetivo dos órgãos de fiscalização (Leia Três Perguntas).

Número de acidentes cresceu 12% no DF de janeiro a outubro de 2018
Das 246 vítimas, 207 eram do sexo masculino, ou seja, 84,1% do total.

Das 246 vítimas, 207 eram do sexo masculino, ou seja, 84,1% do total.
Presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran), Fábio Medeiros concorda que os 39 dias de greve da categoria, entre março e abril deste ano, tiveram impacto no número de acidentes. “Quando não há fiscalização na rua, as pessoas perdem o medo e aprontam mais, cometem mais infrações e, aí, ocorrem mais acidentes”, explica. Ele ressalta que 30% do efetivo foi mantido em atividade.

Medeiros destaca ainda que a perda de efetivo tem prejudicado os trabalhos não só nas ruas, como na atividade administrativa. “O quadro do Detran tem 1,7 mil vagas e, atualmente, temos 1,2 mil preenchidas. Metade dos servidores está na fiscalização e a outra parte, no atendimento à população. A categoria está desvalorizada e desmotivada”, detalha o líder sindical. Além de problemas estruturais, Medeiros destaca que a população também tem responsabilidade pelo aumento de acidentes e mortes. “Tem crescido muito o número de multas por excesso de velocidade, uso de telefone celular e embriaguez ao volante. A responsabilidade é de todos”, destacou.
Pedestres em risco
Até 31 de outubro, o Departamento de Trânsito (Detran) contabilizou 233 acidentes fatais e 246 mortos. No mesmo período do ano passado, foram 208 e 221 casos, respectivamente. Levando em consideração que, nos últimos 17 anos, a média de registros nos últimos dois meses do ano é de, no mínimo, 30 ocorrências, é praticamente certo que um número maior de vidas ficará pelo asfalto neste ano.

Os dados mostram que a quantidade de homens mortos no trânsito é muito maior do que a de mulheres. Das 246 vítimas, 207 eram do sexo masculino, ou seja, 84,1% do total. Também chama a atenção a quantidade dos pedestres que perderam a vida: até outubro, 96 morreram atropelados, contra 79 durante o ano passado inteiro.

Apesar de aparecerem em 4ª colocação entre a parcela mais vulnerável do trânsito este ano, a quantidade de ciclistas mortos também é preocupante. Foram 19 até outubro, praticamente o mesmo número de vítimas de 2017, quando morreram 20 ciclistas.

O luto da família Aragão completou um ano em 21 de outubro. O estudante e ativista da mobilidade ativa, Renato Aragão, 23, morreu atropelado quando pedalava pela L2 Norte, próximo à Universidade de Brasília. O laudo da polícia concluiu que o condutor do carro, Johann Homonnai, 18, dirigia a cerca de 95 km/h, quando a máxima permitida é de 60 km/h no local. Ele foi condenado a dois anos de detenção em regime inicialmente aberto e dois meses de proibição para obter habilitação para dirigir.

“Uma pena ridícula”, nas palavras da mãe de Raul, a aposentada Renata Aragão, 59. “E ele não cumpriu ainda porque recorreu. Se a pessoa matou dirigindo, tinha que haver procedimentos que já retivessem a carteira para que ela não dirigisse até ser julgada”, indignou-se Renata.

Mais de um ano depois da morte do filho, Renata acredita que os motoristas não aprenderam nada com a tragédia. “Continuo vendo as pessoas correndo e diminuindo apenas quando estão perto de um pardal. “A diminuição (da velocidade) reduz o risco dos acidentes e o impacto. O carro é uma arma”, defende a mãe.
Três perguntas para Silvain Fonseca, diretor-geral do Detran

Por que os acidentes de trânsito aumentaram entre janeiro e outubro deste ano?
São basicamente dois motivos: em meados de abril, os agentes ficaram de greve por cerca de 40 dias. Foi o mês que tivemos maior aumento de acidentes fatais, 19 ao todo, com 20 mortes. Além disso, temos perdido o efetivo do Detran. Servidores com experiência têm pedido a aposentadoria com medo de perder direitos com a reforma da Previdência. Só o Detran perdeu cerca de 100 agentes no último um ano e meio. O DER também teve redução do quadro, assim como o Batalhão de Trânsito da PM.

Como o órgão vem trabalhando para conter a violência no trânsito?
Estamos atuando nos pontos críticos de acidentes. Este ano, o número de pedestres mortos foi muito alto. Então, fizemos ação voltada para este público. Também estamos trabalhando na redução de velocidade de vias com altos índices de acidente e os resultados têm aparecido. Tanto que, nos últimos cinco meses, conseguimos quedas consecutivas no registro de ocorrências.

No ano passado, houve o menor número de acidentes e mortos. Um resultado praticamente impossível de ser alcançado neste ano…
Apesar de não ser igual ao ano passado, em 2018, o DF possivelmente entra para a história como uma das unidades da federação que mais reduziram as mortes no trânsito no país. Isso se deve a um trabalho integrado entre Detran, DER, PM, Polícia Rodoviária Federal e outros órgãos da segurança pública, como os Bombeiros. Fizemos trabalho integrado até com a Defesa Civil e com a Sedesth. Mesmo que o resultado não seja igual ou melhor que o de 2017, o fato é que estamos conseguindo reduzir de forma sistemática e sustentável o número de vítimas. *Colaboraram: Mariana Machado e Raphaele Caixeta, especiais para o Correio.

Fonte: Jornal Correio Braziliense

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