Um grave tombamento envolvendo um ônibus de transporte interestadual da Real Maia deixou oito mortos e 12 feridos na noite de sexta-feira (25), na BR-122, nas proximidades de Iraquara, na região da Chapada Diamantina, na Bahia.
O ônibus havia saído de Fortaleza (CE) com destino a Palmas (TO). O tombamento aconteceu por volta das 23h, a aproximadamente 15 quilômetros de Iraquara.
As equipes de emergência trabalharam durante a madrugada para socorrer os passageiros e retirar as vítimas das ferragens.Inicialmente três corpos foram inicialmente retirados do veículo. Após o destombamento do ônibus, outros quatro foram encontrados. Uma pessoa morreu depois de receber socorro.
Feridos foram encaminhados para hospitais da região
Os feridos receberam os primeiros atendimentos no local do acidente e foram encaminhados para unidades de saúde da região. As primeiras informações publicadas indicam que teriam sido encaminhados para o Hospital Regional de Seabra e o Hospital Municipal Américo Chagas, em Iraquara. Segundo apurado pela imprensa da região, os dois motoristas da empresa que estavam no ônibus não sofreram ferimentos.
Falta do uso do cinto pode ter contribuído para mortes
Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros participaram da operação de atendimento às vítimas. As circunstâncias do sinistro(acidente) ainda não foram esclarecidas.
As primeiras apurações indicam que muitos passageiros não estavam usando o cinto de segurança. Já os dois motoristas provavelmente não sofreram ferimentos porque usavam o equipamento. O uso do cinto reduz em 70% a possibilidade de vítimas fatais ou feridos graves.
O veículo é um modelo Volvo, com carroceria Campione, com dois andares de 2025. Portanto, com a disponibilidade do equipamento, provavelmente em boas condições.
Presença de dois motoristas precisa de investigação do MPT
O Ministério Público do Trabalho necessita investigar a presença de dois motoristas. O trajeto do ônibus é de mais de 1.700 quilômetros entre Fortaleza(CE) e Palmas(TO). A presença de cois condutores pode indicar excesso de jornada. A legislação não considera descanso dormir num veículo em movimento, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
Outro veículo da mesma empresa tombou poucas horas antes, conforme o Estradas.com.br publicou nesta sexta-feira. Neste caso também estavam a bordo, segundo as apurações da imprensa local, dois motoristas. Ônibus da Real Maia tomba na BR-153(TO), e deixa quatro feridos; um está em estado grave
Investigar tragédias para aprender com elas
Para o Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, é preciso aprender com as tragédias. Ele lembra que o governo criou, há quatro meses, o o Cnest (Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito).
“Até o momento não há registro de nenhuma ação prática, com exceção de seminário para debater o tema e nomeação do Comitê Científico quatro meses depois da criação do Cnest. Curiosamente, o Ministério Público do Trabalho não faz parte do Comitê, quando metade das mortes nas rodovias federais envolvem veículos pesados. Imagina quantos anos vamos esperar para que façam de fato uma investigação séria?”, afirma Rizzotto.
A ideia, inspirada no National Transportation Safety Board (NTSB), órgão americano que investiga os principais sinistros (acidentes) de transportes e CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e, foi sugestão do Coordenador do SOS Estradas em 2003, no livro Recall- O que as montadoras não contam, portanto há mais de vinte anos.
Depois ganhou atenção de Francisco Garonce, piloto da Aeronáutica, que foi Coordenador-Geral de Educação para o Trânsito no então DENATRAN em 2019.
“Existe outro projeto ainda que trabalhamos com o Ministério Público do Trabalho. Mas depois de 23 anos lutando por essa proposta, lamentamos que até hoje tenha ficado até o momento apenas no palanque. Até o momento, apenas usam ideias de terceiros para ganhar visibilidade na mídia, conforme fica evidente no lançamento do CNEST pelo atual ministro Santoro e seu Secretário. Em termos práticos, até agora não há investigação em curso e muitas delas poderão revelar a responsabilidade do próprio governo federal na precária condição das rodovias, deficiências na fiscalização viária ou omissão no controle das condições de trabalho dos motoristas.”
Enquanto isso, na avaliação de Rizzotto, o país não aprende com as tragédias, com a dor das vítimas e seus familiares. Os casos se repetem, são veiculados na grande imprensa mas esquecidos com a mesma rapidez com que os responsáveis desses ministérios e secretarias de trânsito deixam a função para novas atividades políticas, em outras áreas.





