Os comerciantes próximos à praça de pedágio na MG-050 (Rodovia Newton Penido), entre os municípios de São Sebastião do Oeste e Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, amargam quedas de até 70% no movimento de clientes. O problema começou há cerca de dois anos, quando a tarifa de R$ 3,70, para veículos de passeio, começou a ser cobrada.
Outro agravante é o aumento no custo de funcionamento dos estabelecimentos, já que os funcionários necessitam transitar entre os municípios várias vezes ao dia. Com esse resultado negativo, alguns comerciantes já pensam em fechar as portas.
O comerciante Hamilton Meireles, 56 anos, do restaurante Paraíso Cocuruto, às margens da rodovia, disse que lançou mão de promoções e descontos para tentar recuperar a clientela, que, segundo ele, deixou de frequentar o estabelecimento por causa do pedágio. “Por alto, posso afirmar que meu movimento diminuiu em 60% depois da instalação do pedágio, e estou tentando sobreviver como posso. Tenho a expectativa de que o movimento volte a melhorar, mas, se isso não acontecer, vou ser obrigado a devolver o ponto”, afirmou Meireles.
Segundo ele, vários caminhoneiros mudaram a rota para a BR-262. “Nem mesmo os fornecedores me atendem mais. Eu que preciso ir até um supermercado para comprar os mantimentos e, com isso, meu custo aumenta muito porque, no mínimo, vou duas vezes a Divinópolis e pago, por dia, R$ 14,80. Outros estabelecimentos também foram prejudicados”, acrescentou.
Alisson Cristiano de Oliveira, 31 anos, proprietário de um hotel-fazenda que funciona na região há uma década, registrou uma redução de 30% na hospedagem de clientes e de 70% nos álbuns fotográficos que eram feitos no local. “E minha despesa aumentou porque tenho que ir à cidade quatro vezes por dia. Nós não pensamos em fechar, mas vamos ter que realizar promoções para tentar atrair clientes. Eu cheguei até a entrar na Justiça para tentar conseguir uma liberação no pagamento do pedágio, já que existe uma lei federal que isenta do pagamento as pessoas que moram até 5 quilômetros de uma praça de pedágio, mas até hoje nada foi resolvido”, contou.
Moradores do entorno da praça de pedágio também alegam que continuam sendo prejudicados com a cobrança. “Muitos que moram por aqui trabalham em Divinópolis e precisam passar pelo pedágio para ir até a cidade. A concessionária decidiu, então, abrir uma via alternativa, com uma porteira, para os moradores, mas em vez de resolver a situação, passou a nos dar dor de cabeça porque todo mundo passou a utilizar”, contou o produtor rural e auxiliar de escritório Vani Ribeiro, 40 anos.
O jornal Hoje em Dia tem acompanhado de perto as reclamações dos moradores, que já realizaram reuniões com a concessionária e, em 2008, chegaram a bloquear a MG-050 completamente, utilizando tratores e caminhões, como forma de manifestação. A parceria público-privada (PPP), firmada entre o Governo de Minas e a concessionária Nascente das Gerais, em junho de 2007, é a primeira do Estado, e pretende investir R$ 321 milhões nos cinco primeiros anos de trabalho no complexo da MG-050/ BR-265/BR-491. Ao longo dos mais de 300 quilômetros da rodovia, são seis praças de pedágio, que estão distribuídas entre os municípios de Juatuba, Divinópolis, Formiga, Piumhi, Passos e São Sebastião do Paraíso.
A reportagem tentou entrar em contato com representantes da concessionária, mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.




