Belo Horizonte tem, atualmente, 58 passarelas, mas muitas delas são subutilizadas. Grande parte dos pedestres prefere se arriscar entre os carros para ganhar tempo e evitar assaltos. Eles alegam que para transitar pelas passarelas precisam andar mais. Além disso, se sentem inseguros, principalmente durante a noite, uma vez que esses equipamentos são mal-iluminados e ermos. Na curva do Ponteio, na BR-356, a qualquer hora do dia é possível encontrar pedestres atravessando a via às pressas, driblando os veículos e pulando a mureta para chegar ao lado oposto. No local existe uma passarela subterrânea, entretanto, quem transita por lá a pé reclama que várias pessoas já foram assaltadas enquanto utilizavam o equipamento.

O frentista Adailson Luiz de Oliveira, de 29 anos, diz que tem que atravessar a rodovia, na altura do Ponteio Lar Shopping, de segunda a sexta-feira. “A passarela subterrânea é a única opção que os pedestres têm, mas é muito perigosa. Fico inseguro quando passo por pessoas estranhas, porque já soube de alguns assaltos aqui. Acho que o perigo seria menor se a passarela fosse aérea ou se tivesse policiamento nesse trecho. Para evitar assaltos, muitos correm o risco de passar pela avenida mesmo”.

A operadora de caixa Aparecida da Silva, de 35, sempre pede a alguém que a acompanhe na travessia. “Tenho muito medo de passar por esta passarela sozinha e também não tenho coragem de passar por entre os carros em velocidade. Se fizesse isso, certamente seria atropelada. Conheço uma pessoa que foi assaltada passando pela passarela, que é deserta. A presença da polícia aqui certamente inibiria os assaltantes, nos trazendo mais tranqüilidade”.

Fernando de Oliveira Cardoso, de 25, confessa que sempre se arrisca na via. “Nunca usei a passarela. É mais rápido atravessar a rodovia”, alega. A diarista Geni Ivo da Silva Souza, de 34, conta que boa parte dos pedestres coloca sua vida em risco na BR-356. “Essa travessia é muito perigosa e várias pessoas não usam a passarela por preguiça mesmo”.

Avenida Antônio Carlos

Problemas semelhantes acontecem na Avenida Antônio Carlos, sentido Centro/bairro, depois da trincheira da Avenida Santa Rosa. Em 26 de junho de 2004, juntamente com as obras da trincheira, uma passarela foi entregue à população. Porém, até hoje os pedestres atravessam entre os carros, evitando o equipamento sem iluminação, o que facilita a ocorrência de assaltos e furtos.

A Secretaria Municipal de Política Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informa que a iluminação na passarela da Antônio Carlos será instalada tão logo a BHTrans construa baias para os ônibus que circulam na avenida. A empresa que gerencia o trânsito e transporte na capital acredita que essas obras estejam concluídas ainda em abril, quando todos os coletivos passarão a trafegar pela pista interna da Antônio Carlos. No Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (Dnit) não havia ninguém que pudesse comentar a situação da passarela subterrânea na da curva do Ponteio.

O chefe do Estado-Maior do Comando de Policiamento da Capital, tenente-coronel Rogério Andrade, afirma que não é possível deixar um policial em cada passarela de Belo Horizonte. Ele explica que em algumas há policiamento fixo e, nas demais, é feito um patrulhamento preventivo. “As pessoas que tiverem problemas de segurança nas passarelas devem fazer o boletim de ocorrência para que, através das estatísticas, possamos analisar o que pode ser feito nessas áreas de vulnerabilidade. Caso o pedestre se depare com pessoas suspeitas, ele não deve atravessar antes de acionar a PM”. O tenente-coronel garantiu que o policiamento será redirecionado nas áreas das passarelas do Ponteio e da Antônio Carlos, devido aos assaltos e furtos.