O trecho tinha limite de 60 km/h. Caminhoneiro estava a 80 e motorista do ônibus a 101km/h Foto: Redes Sociais

Inquérito cita excesso de velocidade nos dois veículos, falha na frenagem do caminhão e possível uso de celular. A colisão frontal deixou ainda cinco feridos.

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre o grave sinistro ocorrido na madrugada de 19 de agosto, no km 209 da BR-373, entre Imbituva e Ipiranga, que deixou 23 mortos e cinco feridos.

A investigação apontou que a colisão foi resultado de uma combinação de fatores envolvendo tanto o caminhão quanto o micro-ônibus. Segundo a delegada Ingrid Priotto, a perícia identificou falhas relacionadas à condução e às condições mecânicas do caminhão, além de excesso de velocidade por parte do micro-ônibus.

Caminhão estava acima do limite e apresentava falha de frenagem

De acordo com o inquérito, o caminhão trafegava a 80 km/h em um trecho onde o limite era de 60 km/h. A investigação também identificou desgaste que havia reduzido a eficiência do sistema de frenagem.

Outro elemento considerado pelos investigadores foi o uso de celular. A Polícia Civil informou que o motorista do caminhão havia se conectado ao WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. Para a investigação, esse dado torna plausível a hipótese de que ele pudesse estar distraído com o aparelho no momento em que entrou na pista contrária.

A carreta estava sem carga e, segundo registros da Polícia Rodoviária Federal, invadiu a contramão antes de atingir frontalmente o micro-ônibus por volta das 3h30.

Micro-ônibus estava a 101 km/h

A perícia também encontrou irregularidade na condução do micro-ônibus. O cronotacógrafo digital registrou que o veículo estava a 101 km/h no momento do impacto, ou seja, 41 km/h acima do limite regulamentar de 60 km/h naquele trecho.

Um passageiro sobrevivente relatou ainda que o veículo havia saído com mais de 20 minutos de atraso e que o motorista dirigia de maneira apressada. Segundo a delegada responsável pelo caso, esse relato corroborou os dados técnicos da investigação.

O veículo pertencia à Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva e transportava pacientes para consultas e atendimentos em Curitiba e na Região Metropolitana.

Das 27 pessoas que estavam no micro-ônibus, apenas cinco sobreviveram: um menino de 6 anos, uma mulher de 26 e três homens, de 22, 49 e 50 anos. Morreram 22 ocupantes do micro-ônibus e o motorista do caminhão, totalizando 23 vítimas fatais.

Não haverá responsabilização criminal dos motoristas

Como os dois condutores apontados pela investigação como responsáveis por condutas que contribuíram para o acidente morreram na colisão, não haverá responsabilização penal.

A Polícia Civil informou, porém, que as conclusões do inquérito e o conjunto de provas poderão ser utilizados em eventuais processos cíveis movidos por familiares das vítimas em busca de reparação e indenização.

Saiba mais: Acidente entre caminhão e micro-ônibus mata 23 pessoas na BR-373/PR, entre Imbituva e Ipiranga

 

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