O contrabando vindo do Paraguai está na mira da fiscalização no Paraná. Quadrilhas procuram outras portas no País

Desde o ano passado, as organizações criminosas de contrabando de cigarro sofrem duros golpes no Paraná. O contrabando em grande escala e o combate à invasão do produto falsificado, proveniente do Paraguai, é visto pelas polícias no Estado como um grande desafio, e por isso o cerco vem se fechando. Depois de apertar a fiscalização em Foz do Iguaçu, a principal via de acesso com o Paraguai, a Polícia Rodoviáira Federal (PRF) viu reduzir em 50% o número de apreensões em relação ao ano passado. “Estamos fechando o cerco nesse tipo de ação. Depois de Foz do Iguaçu, Guarapuava e Cascavel estão na lista”, afirma o Inspetor Gilson Cortiano, chefe da Sessão de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal no Paraná (PRF).

Mesmo assim, os casos de contrabando de cigarro tem sido comuns no Estado. Desde o início do ano, quatro milhões de maços foram confiscados pela PRF e mais de dois milhões pelo Batalhão de Trânsito da Polícia Rodoviária (BPRv). As apreensões trazem números elevados, mas esperados pela PRF. “Elas são fruto de um trabalho planejado. Policiais treinados monitoram constantemente as quadrilhas e tem obtido sucesso”, comenta o inspetor Cortiano. Segundo ele, esse tipo de trabalho é minucioso e requer pessoal capacitado. “Nós mapeamos o movimento das quadrilhas, tanto de tráfico de cigarro quanto entorpecentes, e armamos o bote. Os resultados são muito expressivos. O número de apreensões é realmente alto, mas já esperávamos por isso porque a fiscalização está mais intensa”, explica.

Em 2007, a PRF apreendeu 19,4 milhões de maços de cigarro, o que corresponde a, no mínimo, R$ 20 milhões no varejo. O BPRv não tem dados computados do ano passado, mas os desse ano chegam a 215.498 pacotes apreendidos, soma final que chega a 2.154.980 maços de cigarro. As apreensões realizadas pela Receita Federal, em conjunto com a PF, calculam que, de janeiro a março desse ano, o contrabando de cigarro movimentou R$ 3,9 milhões, número 15,92% menor que o mesmo período em 2007, o que também seria um sintoma da fiscalização mais rigorosa, obrigando as quadrilhas a procurarem outras portas de entrada, como o Lago de Itaipu.

“Toda a região é alvo de intensa fiscalização das polícias Civil e Federal, principalmente em regiões próximas à Ponte da Amizade, com isso, os criminosos procuram saídas para dar seqüência ao tráfico em regiões de menor fiscalização”, analisa o delegado-chefe da Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu, Márcio Amaro.

Se cigarro já é ruim, o paraguaio é muito pior. Contém impurezas que vão de fezes de ratos a limalhas de ferro.