Usando pneus e galhos de árvores, moradores do Sítio Andraújo, em Ipioca, realizaram ontem, pela manhã, um bloqueio na AL–101 Norte, próximo a Riacho Doce, para reivindicar ações eficazes da Prefeitura em todos os serviços prestados à comunidade. O protesto, que durou quase cinco horas, causou um congestionamento de aproximadamente 6 Km e irritou motoristas que trafegavam nos dois sentidos da rodovia estadual.
O protesto, que começou nas primeiras horas da manhã, foi acompanhado, durante todo o tempo, por homens do Corpo de Bombeiros, policiais do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar e equipes do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran).
A representante dos moradores do Sítio Andraújo, Denise Santos, explicou que a interdição da pista foi a única medida encontrada pelo povo para poder ser atendido pelo poder público municipal, depois de várias tentativas frustradas.
“Estamos precisando de tudo aqui. Não temos sinalização, lombadas, policiamento, escolas, iluminação, segurança, pavimentação. E no inverno, quase não conseguimos chegar à nossa própria residência”, enumerou a líder comunitária, citando casos recentes de assaltos, arrombamentos, atropelamentos e estupros ocorridos na localidade.
De acordo com o professor Severino Soares, o Sítio Andraújo está carente de todas as políticas públicas necessárias ao bem–estar e à segurança da população. “Enviamos vários ofícios aos órgãos públicos. Não queríamos realizar esse protesto, mas a falta de diálogo por parte das secretarias municipais nos obrigou a tomarmos essa atitude”, justificou.
Os moradores estavam decididos a desbloquear a pista apenas depois da presença de órgãos e entidades responsáveis pelos serviços que eles estavam reivindicando. Aos poucos foram aparecendo representantes de órgãos públicos como a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Superintendência Municipal de Obras e Urbanização (Somurb) e Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que reunidos com os manifestantes e policiais do Gerenciamento de Crises da Policia Militar conseguiram, depois de muito esforço, liberar a pista, por volta das 10 horas da manhã, para que o fluxo de veículos voltasse ao normal. Depois do consentimento dos manifestantes, que recuaram mediante algumas promessas dos órgãos públicos no sentido de atender aos pedidos, o Corpo de Bombeiros apagou o fogo que se alastrava pelos pneus e galhos secos de árvores.




