Sinais na estrada, tecnologia e distração reacendem alerta dos cegonheiros sobre uso do celular ao volante
PERIGO AO VOLANTE: Sinais na estrada, tecnologia e distração reacendem alerta dos cegonheiros sobre uso do celular ao volante. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uso constante do aparelho nas rodovias preocupa entidades do transporte e amplia alerta sobre distração entre motoristas profissionais

O uso do celular durante a condução voltou ao centro do debate sobre segurança nas rodovias. Dados do Ministério da Saúde mostram que 19,3% dos brasileiros admitem usar o aparelho enquanto dirigem nas capitais. Estudos sobre segurança viária apontam que a distração pode elevar em até 400% o risco de sinistros (acidentes).

Muito antes da internet móvel, caminhoneiros já mantinham uma rede informal de comunicação nas estradas. Sinais feitos com as mãos ajudavam a alertar outros motoristas sobre acidentes, animais na pista, fiscalização e problemas mecânicos durante o trajeto.

Com o avanço do rádio PX, essa troca de informações ganhou alcance entre profissionais de diferentes regiões do país. Mesmo diante das dificuldades para regularização dos equipamentos, muitos caminhoneiros passaram a utilizar o sistema como apoio nas viagens e até em situações de emergência nas rodovias.

Para a Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg), o avanço do celular alterou a relação dos motoristas com a atenção ao volante.

O PX ajudava a manter o motorista conectado à estrada e aos outros caminhoneiros. O celular faz o contrário em muitos casos: tira o olhar da pista justamente no momento em que a atenção precisa ser total”, afirma o presidente da entidade, Jaime Ferreira dos Santos.

Atenção interrompida

Segundo entidades do setor, o problema não é a tecnologia em si, mas a perda de atenção provocada pelo uso constante do aparelho durante as viagens.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, a preocupação cresce porque o uso do celular ao volante acabou sendo incorporado à rotina de muitos motoristas. “O caminhoneiro sempre encontrou formas de se comunicar sem perder a atenção da estrada. O problema começa quando o celular vira prioridade dentro da cabine e o motorista deixa de perceber o que acontece ao redor.

O diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, avalia que o comportamento foi sendo normalizado nas rodovias. “Quem dirige caminhão trabalha calculando distância, peso, frenagem e condição da pista o tempo inteiro. Mesmo assim, muita gente ainda trata responder mensagem dirigindo como algo simples. Na estrada, segundos de distração podem ter consequência muito séria.”

O Sinaceg afirma que vem ampliando palestras e ações educativas sobre segurança viária e prevenção de acidentes de trabalho entre motoristas da categoria.

Cuidado! Uma simples mensagem lida ao volante pode ser a última que você vai ler nesta vida!“, alerta Jaime dos Santos, da Feiceg.