MILHARES DE PESSOAS MORREM EM ACIDENTES DE TRANSITO
MILHARES DE PESSOAS MORREM EM ACIDENTES DE TRANSITO

O número de mortes em acidentes de trânsito por ano corresponde à população de Copenhague, na Dinamarca

Acidentes de trânsito continuam a ser uma das maiores causas de mortes no planeta. De acordo com um recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem todos os anos, vítimas de acidentes no trânsito.

Para dar uma ideia de o que esse número representa, é como se uma população do tamanho da de Copenhague, na Dinamarca, falecesse todos os anos.

O último relatório da OMS revela que a maior causa de acidentes de crianças e jovens entre 5 e 29 anos são acidentes veiculares.

De acordo com o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “essas mortes são um preço inaceitável (a pagar) pela mobilidade”.

Segundo ele, “o relatório é um chamado para que governantes implementem medidas (de segurança)”. “Não há desculpas para não se tomarem providências.”

Índice é maior em países pobres

Como regra geral, o risco de morte no trânsito é aproximadamente três vezes maior em países pobres.

A maior taxa de mortalidade relacionada a acidentes está na África. Lá, há 26,6 mortes para 100 mil habitantes. A menor fica na Europa (9,3 mortes para 100 mil pessoas).

Se serve como consolo, algumas regiões, como as Américas e a Europa, apresentaram declínio na taxa de mortes, comparado ao relatório anterior da OMS, de 2015.

O estudo mostra que pedestres e ciclistas correspondem a 26% do total de vítimas fatais nos acidentes. O número é bem maior na África (44%) e leste europeu (36%).

Motociclistas e passageiros respondem por 28% das mortes.

Salvador é exemplo no Brasil

Exceção entre cidades brasileiras, Salvador atingiu antes do prazo estabelecido pela ONU a meta de reduzir 50% de mortes em acidentes de trânsito no decênio 2011-2020. A Transalvador – autarquia municipal encarregada de gerir o trânsito na cidade – adotou até o conceito de “traffic calming”, um pacote de medidas para reduzir o tráfego e o número de ocorrências em determinadas vias.

Desafio

A resposta brasileira ao desafio da ONU (Década de Ações pela Segurança do Trânsito) foi o lançamento pelo Ministério da Saúde do Projeto Vida no Trânsito (PVT), voltado para a vigilância e prevenção de lesões e mortes no trânsito e promoção da saúde.

O foco é intervir em dois fatores de riscos: dirigir após o consumo de álcool, inobservância da sinalização e velocidade inadequada. Além de outros fatores ou grupos de vítimas, principalmente os acidentes que envolvem motociclistas.

O projeto brasileiro tem parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas, aquela do Mais Médicos…), um braço da ONU e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A iniciativa conta com apoio da Bloomberg Philantropies e denominada Road Safety in Ten Countries (Segurança Rodoviária em Dez Países) sob a coordenação da OMS e diversas outras entidades internacionais de segurança de trânsito.

Os dez países focados (Brasil, Russia, China, Turquia, Egito, Vietnã, Camboja, India, Quênia e México) respondem por cerca de 600 mil mortes, ou 62% de todos os óbitos no trânsito por ano no mundo. Além disso, as estatísticas revelam também que 90% das mortes ocorrem em países de média e baixa renda, que detêm menos da metade da frota mundial.

PVT em Salvador

O projeto foi implantado em 2011 nas cidades de Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Palmas (TO) e Teresina (PI).

Em 2013 foi expandido para Salvador, demais capitais e municípios com mais de um milhão de habitantes. Na capital baiana, o número de acidentes de trânsito com mortes foi reduzido de 239 em 2013 para 116 em 2017.

MILHARES DE PESSOAS MORREM EM ACIDENTES DE TRANSITO
MILHARES DE PESSOAS MORREM EM ACIDENTES DE TRANSITO

 

O PVT envolve diversos setores sociais, entre eles a saúde, medicina do trabalho, educação para o trânsito e transportes terrestres. Entre as estratégias adotadas pela Transalvador estão o fortalecimento da engenharia de trânsito, projetos, ações para modernização das vias e sua sinalização.

A autarquia deu como exemplo a av. Suburbana: depois das intervenções, o número de acidentes de trânsito fatais caiu de 17 em 2015 para apenas duas, neste ano. Outros bairros receberam pacote de medidas semelhantes que inclui redução da velocidade dos automóveis e aumento do espaço para pedestres e ciclistas.

A malha viária da cidade já alcança 225 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Desse número, 149,24 km foram implantados pela Prefeitura de Salvador, desde 2013. A meta da Transalvador é zerar o número de óbitos no trânsito.

Na semana passada, uma equipe da Opas esteve em Salvador para gravar entrevistas e imagens que serão incorporadas a um documentário com os resultados do programa em vários países. A capital baiana foi a única cidade do Brasil a participar do filme.

“Os resultados de Salvador nos animam. É um lugar que não somente conseguiu superar os problemas como insistiu nas ações para promover um trânsito mais seguro. O trabalho que é feito pelo grupo do PVT aqui na cidade é um exemplo”, afirma Victor Pavarino, consultor de segurança viária da Opas/OMS.

No Brasil

Os resultados de Salvador não se repetiram em outras cidades brasileiras. Houve redução de óbitos em acidentes de trânsito em várias delas, mas com percentuais muito inferiores aos obtidos na capital baiana, de 51% em cinco anos de intervenções em parte das vias públicas.

Apesar de o projeto ser de âmbito internacional e promovido no país pelo Ministério da Saúde, a principal responsabilidade pela segurança e prevenção de acidentes é do município, responsável pela intervenção na malha de trânsito das cidades, da engenharia de projetos, educação, e sinalização adequadas.

Fonte: Jornal do Carro

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