Mais de um ano depois da tragédia o Ministério Público ainda não ofereceu denúncia

Mesmo com indiciamentos concluídos, Ministério Público ainda não apresentou denúncia para revolta das famílias que clamam por justiça.

Um ano após a tragédia que chocou o Rio Grande do Sul e o país, o acidente com o ônibus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ocorrido em abril de 2025 na VRS-863, entre Imigrante e Westfália, ainda aguarda desdobramentos na Justiça.

Apesar da conclusão do inquérito policial e do indiciamento de três pessoas por homicídio culposo e lesões corporais, o Ministério Público ainda não apresentou denúncia formal contra os envolvidos. O órgão chegou a solicitar a ampliação das investigações, e até o momento não há decisão sobre o oferecimento da denúncia à Justiça .

A demora reforça o sentimento de impunidade entre familiares e sobreviventes, que um ano depois seguem à espera de respostas concretas.

Relembre a tragédia

O acidente ocorreu no dia 4 de abril de 2025, quando um ônibus que transportava estudantes e professores do curso de Paisagismo da UFSM saiu da pista em um trecho de descida com curvas e caiu em uma ribanceira.

O desastre deixou sete mortos e 26 feridos, mobilizando equipes de resgate e causando comoção nacional .

Relembre a cobertura do caso na época: Ônibus da UFSM cai em ribanceira no RS e deixa pelo menos sete mortos e 22 feridos
⚖️ Investigação sem desfecho

As investigações apontaram falhas que teriam contribuído para o acidente, incluindo problemas de manutenção do veículo e conduta do motorista. Ainda assim, o processo segue sem avanço decisivo na esfera judicial.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público, responsável por avaliar se oferece denúncia ou solicita novas diligências — etapa que já dura um ano .

Obras prometem mais segurança

Paralelamente à espera por justiça, o trecho onde ocorreu o acidente começa a receber intervenções estruturais.

O governo do Estado anunciou um pacote de R$ 14 milhões para recuperação da VRS-863, incluindo:

Reestruturação da rodovia
Estabilização de encostas
Melhorias na sinalização
Implantação de dispositivos de segurança

Entre as principais medidas está a construção de uma área de escape no km 3,8 — ponto considerado crítico.

O dispositivo terá cerca de:

100 metros de extensão
10 metros de largura
Camada de areia para desaceleração de veículos

A previsão é que a obra seja concluída até dezembro de 2026 .

⚠️ Medidas tardias

A implantação da área de escape e das melhorias na rodovia levanta questionamentos sobre a demora na adoção de medidas preventivas.

Especialistas em segurança viária apontam que estruturas desse tipo são fundamentais em trechos de serra com descidas acentuadas, podendo evitar tragédias como a ocorrida em Imigrante.

Memória e cobrança por justiça

Enquanto as obras avançam, familiares das vítimas e sobreviventes seguem mobilizados para que o caso não caia no esquecimento.

Um ano depois, a tragédia permanece viva na memória coletiva — e a cobrança por responsabilização continua.