O governo federal, através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), garantiu de novo que, até o final do ano, o projeto executivo e o estudo de viabilidade técnica e financeira para a duplicação da BR-470 estarão concluídos. A ordem de serviço para a elaboração desses dois trabalhos técnicos foi assinada no final de abril, em Blumenau, com toda a pompa e circunstância. Isto posto, nada impediria que as obras fossem, iniciadas já no ano que vem. Mas não convém colocar muitas esperanças nisto, eis que vivemos num país no qual raramente as promessas oficiais são cumpridas no prazo e com a eficiência prometidas em cerimônias e atos de palanque. Aí está o exemplo dos trabalhos de duplicação do trecho Sul da BR-101 em Santa Catarina, cuja data de conclusão já foi tantas vezes anunciada e postergada que nenhuma pessoa responsável, hoje, se arriscaria a definir um prazo. Os próprios trabalhos de melhoria prometidos para a BR-470, em seus 359,9 quilômetros, enquanto o começo da duplicação não ocorre entre os quais obras de contenção de encostas e aterros , ainda são praticamente invisíveis.

A duplicação desta rodovia é uma reivindicação velha de muitos anos. Trata-se de uma rodovia de extrema relevância para o desenvolvimento socioeconômico de todo o Estado e para a integração de suas diversas regiões. Atravessando o Vale do Itajaí, região industrial por excelência e um dos carros-chefes da economia catarinense, por ela também escoa a produção agroindustrial do Oeste do Estado em direção aos grandes centros consumidores nacionais e aos portos de exportação. Também pela BR-470 trafegam centenas de milhares de visitantes, boa parte oriunda dos vizinhos países do Mercosul, rumos aos sítios turísticos de Santa Catarina, principalmente durante a temporada de verão. São questões econômicas de extrema relevância, portanto, não apenas para o Estado, mas para todo o país.

Mas não apenas por essas razões a ampliação da capacidade desta estratégica rodovia se impõe. Como já foi registrado, neste mesmo espaço, quando da assinatura das ordens de serviço para a execução dos projetos de viabilidade da obra, embora fundamentais, as razões econômicas da obra não são tão importantes quanto as humanas. A BR-470 percorre uma região de grande densidade populacional, e em diversas áreas do Vale do Itajaí funciona também, praticamente, como via urbana, sendo, por isso, numerosos os acidentes de trânsito, destacando-se os atropelamentos, que deixam um apavorante saldo de mortos e mutilados. São fartas as razões que clamam pela urgência do início dessas obras. Motivação suficiente para que a sociedade catarinense, através de sua representação política e de suas entidades empresariais e profissionais, pressione o poder público federal a cumprir a palavra empenhada, sem mais conversa fiada.