Juros elevados e dificuldades de financiamento prejudicam o mercado de veículos pesados, enquanto vendas de automóveis e comerciais leves devem crescer 16,4% no país.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para baixo a previsão de vendas de caminhões e ônibus em 2026. A entidade agora estima uma queda de 6,5% nos emplacamentos, ampliando a retração de 6% projetada anteriormente.
A nova estimativa prevê a comercialização de aproximadamente 128,5 mil caminhões e ônibus até dezembro, abaixo das 129,2 mil unidades esperadas na projeção anterior.
O desempenho negativo está relacionado principalmente aos juros elevados, ao crédito mais caro e às dificuldades de financiamento enfrentadas por transportadoras, empresas de ônibus e profissionais que precisam renovar suas frotas.
Caminhões e ônibus seguem na contramão do mercado automotivo
Enquanto o segmento de veículos pesados enfrenta dificuldades, o mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves apresenta crescimento expressivo. A Anfavea projeta que o Brasil encerrará 2026 com aproximadamente 3,1 milhões de veículos novos emplacados, uma alta de 15,2% sobre 2025.
A expansão será impulsionada principalmente pelos automóveis e comerciais leves, cujas vendas devem crescer 16,4%. Já para caminhões e ônibus, além da redução nas vendas, a associação prevê queda de 8,2% na produção e de 18,7% nas exportações.
Mercado apresenta sinais de recuperação em setembro
Apesar das projeções negativas para o ano, setembro apresentou melhora nas vendas de veículos pesados. O mercado de ônibus registrou crescimento de 17,1% em relação a agosto, com aproximadamente 2,4 mil unidades emplacadas.
No segmento de caminhões também houve recuperação mensal, embora o acumulado de janeiro a setembro continue abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
A melhora recente, entretanto, ainda não foi suficiente para reverter as expectativas negativas para o fechamento do ano.
Renovação das frotas enfrenta dificuldades
A retração nas vendas de veículos pesados também preocupa pelo impacto potencial sobre a renovação das frotas brasileiras. Caminhões e ônibus mais modernos incorporam tecnologias de segurança, controle de emissões e eficiência energética que podem contribuir para reduzir os custos operacionais e melhorar as condições de transporte.
Com juros elevados e financiamentos mais caros, empresas e transportadores autônomos podem optar por prolongar a utilização dos veículos atuais, adiando investimentos na modernização das frotas.
Segundo a Anfavea, a recuperação mais consistente do segmento poderá ocorrer apenas em 2027, dependendo principalmente das condições econômicas e do acesso ao crédito.














