O mato alto no acostamento esconde mais uma placa de
sinalização. Poucos metros depois, duas cruzes indicam que ali
a rodovia fez suas vítimas. O número é alto. Apenas nos últimos
dois meses deste ano foram sete. O que poderia ser um retrato
da rodovia Transbrasiliana (BR-153), hoje atende pelo nome de
Assis Chateaubriand (SP-425). As precariedades da nova “rodovia
da morte”, aliada à imprudência dos motoristas, provocam muitos
acidentes. No 1º semestre de 2006 foram 113. De janeiro a
agosto, a SP-425 matou 12 pessoas e feriu outras 112. A
pichação sobre a placa da divisa regional na ponte do rio
Turvo, local que ficou conhecido pelo acidente que matou 59
estudantes rio-pretenses em 1960, resume o perigo que se tornou
trafegar pela Assis Chateaubriand: “+12 mortes”. Na ponte,
falta grade de proteção (guardrail) em um dos lados.
No percurso de 126 quilômetros de rodovia, que liga Rio
Preto à Barretos, a pista simples se alterna entre trechos com
terceira faixa e outros quase sem acostamento, falta de
sinalização e ainda asfalto ruim. O trevo de Ibitu, onde há
poucas semanas um acidente envolvendo dois ônibus deixou pelo
menos 30 pessoas feridas, três delas em estado grave, é
localizado na junção de duas descidas. “A visualização é
péssima e acidente sempre acontece aqui. Agora, depois do
acidente, sinalizaram a pista. Antes era tudo apagado”, diz a
comerciante Nena, 62 anos, que possui um restaurante no local.
O tráfego de caminhões nos acessos das fazendas à rodovia
também é intenso. No quilômetro 81, perto de Barretos, a placa
que indica a saída de veículos longos está encoberta pelo mato
e passa imperceptível pelos motoristas. Outras placas como esta
estão caídas pela pista. A tragédia é inevitável.
No final de julho, 12 pessoas ficaram feridas num
acidente grave perto do local. Uma van com pacientes que seguia
para o Hospital do Câncer colidiu com um caminhão. A
sinalização na SP-425 é um problema. Quando ela existe na
maioria das vezes está em estado de deterioração ou escondida
no mato alto que segue pelo caminho. Algumas placas estão
queimadas, vítimas de incêndios nas margens da rodovia, devido
ao tempo seco. Há ainda aquelas que são alvo de tiros. Trafegar
pela Assis Chateaubriand é uma surpresa a cada curva. O melhor
percurso está entre Olímpia e Barretos. As condições da estrada
de Rio Preto à Olímpia pioram e os defeitos da via, vem à tona.
De acordo com o capitão Luís Henrique Di Jacinto Santos,
comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar Rodoviária de Rio
Preto, a imprudência dos motoristas contribui para os
acidentes. “Há motoristas que excedem a velocidade e fazem
ultrapassagens irregulares.”
DER De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem
(DER), o órgão renovou os contratos de conservação para
manutenção das rodovias paulistas em junho deste ano. A partir
daí, as vias estão sendo mantidas pelos trabalhos que incluem
entre outros serviços, tapa-buracos, roçada, limpeza de
acostamento. A rodovia Assis Chateaubriand está envolvida e
passa atualmente pelos serviços.




