Traçado alternativo da rodovia Raposo Tavares custará R$ 55
milhões e deve ficar pronto em 2007 Começam nesta segunda-feira
as obras do contorno alternativo da rodovia Raposo Tavares em
São Roque, um projeto paralelo à proposta inicial de retirar o
trânsito pesado de dentro da cidade, mas que trará benefícios
imediatos ao município. O início da intervenção no local
aguardava apenas a liberação da Licença de Implantação (LI),
expedida no último dia 10 pela Secretaria Estadual do Meio
Ambiente.
A obra é uma das mais esperadas pelos são-roquenses, já que
deve provocar uma mudança drástica na rotina da cidade. Hoje,
os moradores – principalmente aqueles da região central –
convivem com o problema do barulho dos caminhões e ônibus, que
passam diariamente pelo centro e se misturam ao trânsito
urbano, além da deterioração do asfalto e da dificuldade de
sair de casa ou estacionar nas ruas principais. O custo da obra
é de R$ 55 milhões, segundo estimativa da concessionária
Viaoeste, que administra aquele trecho da Raposo Tavares e será
a responsável pelos investimentos, e deve ficar pronta em
meados de 2007.
O projeto definitivo do contorno, previsto desde 1997 no
contrato de concessão da Viaoeste, ao custo de R$ 140 milhões,
já foi alterado várias vezes e ficou para 2012. Contorno
alternativo O contorno alternativo que terá início segunda em
São Roque prevê melhorias entre os kms 58,5 e 64, já na divisa
do município com Mairinque, onde inclusive já existem algumas
obras em andamento. Segundo o gerente de obras da Viaoeste, o
engenheiro Severino Garrido Júnior, entre os kms 58,5 (saída
para São Paulo) e 60,5 (já no centro) estão previstas melhorias
como alargamento da pista, com faixas adicionais para tornar o
trânsito mais rápido. Hoje existe apenas uma pista de mão-dupla
no local.
Garrido Júnior explica também que neste trecho, mais
precisamente no km 59, será feita uma alça entre a rodovia e a
rua Sergipe, separando provisoriamente o trânsito, afim de
evitar desapropriações no alargamento da rodovia. No futuro,
essa estrada terá apenas uma mão de direção e a outra será pela
atual rua Sergipe, que se transformará na rodovia. Já no km 60,
haverá ampliação de uma rotatória. Pelo projeto, no km 60,5 um
amplo viaduto será construído, com desnível entre o tráfego
urbano e o rodoviário (que ficará por cima). O melhoramento de
ampliação da pista com faixa adicional segue até o km 60,6,
quando começa o trecho central.
A partir daí, haverá construção do contorno com início e
acompanhando a linha férrea, até o km 62,3 , informou Júnior,
comentando que nesse mesmo trecho estão previstos dois viadutos
e um túnel. O primeiro, no km 61, na entrada do bairro jardim
Suíssa Paulista. O trânsito da rodovia passará por cima do
viaduto para não descaracterizar a entrada do bairro. O mesmo
acontece na entrada para o Morro do Cruzeiro, 500 metros
depois. Já no km 62, no cruzamento com a linha férrea, será
construído um túnel sob a ferrovia.
A partir daí, a nova pista já se encontrará com a antiga e
seguirá com os melhoramentos de alargamento das pistas com
faixas adicionais, até Mairinque, onde as obras já começaram.
Haverá apenas interligação da rodovia com a avenida do
Marmeleiro, via municipal que faz a ligação com o acesso da
rodovia Castello Branco. Uma nova pista entre a rodovia Raposo
Tavares e a avenida será construída no km 63,5, que atinge um
espaço de área verde.
Desapropriações Apesar de concordarem com as obras do contorno
da Raposo Tavares em São Roque e de acreditarem que a
intervenção seja boa para a cidade, os moradores desapropriados
estão revoltados com o valor pago pelas residências demolidas
para a passagem da rodovia. A maioria das famílias acredita que
os valores pagos pelos imóveis estão abaixo do praticado no
mercado. O preço da minha casa, que é uma área de 300 metros
quadrados, é avaliado em R$ 150 mil pelas imobiliárias, e o que
foi depositado na Justiça é de apenas R$ 72 mil , afirma uma
das moradoras desapropriadas, Maria do Carmo Garrido. Outro
problema enfrentado por Maria e os demais desapropriados é que
eles não conseguem nem receber o baixo valor que foi pago, nem
a revisão dos valores dos imóveis. O meu advogado disse que o
processo está parado no fórum. A gente não recebe e nem a
Justiça pede a revisão dos valores pagos , garante Maria do
Carmo.
Segundo o engenheiro Severino Garrido Júnior, a concessionária
Viaoeste já depositou em juízo os valores estipulados pela
Justiça local. Ele afirma que há divergências quanto a questão
do pagamento porque a maioria dos desapropriados não tinha
escritura das casas, apenas contratos de gaveta . Por esta
razão, a questão ainda está em trâmite. O presidente do Partido
dos Trabalhadores (PT) em São Roque, Maurício Tavares, reclama
que houve pouco debate e divulgação sobre as obras do contorno
da Raposo Tavares na cidade.
Na audiência pública sobre o assunto não deram nem
oportunidade das famílias interessadas falarem , criticou,
comentando que vários moradores saíram de suas casas, estão
desempregados, não conseguem receber as indenizações e não
podem voltar para suas casas porque elas já foram demolidas.




