Mortes de jovens no trânsito deixam um rastro de dor nas famílias

Em busca de adrenalina e estimulados a postarem suas infrações e crimes de trânsito, jovens matam e morrem, deixando um rastro de dor nas suas famílias e amigos.

A vida de cada um é uma extensão da família!

Há poucos dias uma jovem de apenas 22 anos morreu num acidente com sua moto. Ela estava fugindo da polícia porque foi flagrada com vários amigos praticando manobras perigosas e rachas em Londrina no Paraná.

Conhecida como Amanda 160, devido a sua moto original, ela tinha cerca de 70 mil seguidores no Youtube, onde postava vídeos mostrando suas manobras com a moto e até mesmo rachas. Estava animada com a moto nova muito mais potente.

Ao fugir da polícia colocou sua vida e de terceiros em risco. Segundo a Polícia, a perseguição foi abortada porque a jovem estava em velocidade muito alta. Ela provavelmente não percebeu isso e fugiu por ruas escuras. Minutos depois a polícia foi chamada para atender uma ocorrência e encontrou Amanda morta.

Nos vídeos percebe-se que era uma jovem alegre, cuja paixão pela adrenalina a fez perder noção dos riscos que corria e como seu exemplo, com 70 mil seguidores no Youtube, estimulava outras jovens a fazer o mesmo.

A impunidade estimula a fábrica de infratores

A certeza da impunidade, que o trânsito brasileiro garante cada dia mais aos infratores e criminosos do trânsito, estimula mais situações de risco. Quanto mais quando ainda ganham certa fama e podem gerar receita com a publicidade que o Google e Youtube pagam ao veicular anúncios nesses canais.

A mãe de Amanda está com câncer, sofria preocupada com a filha, assim como os familiares. A tia definiu com sabedoria a situação numa entrevista para o UOL.

“Peço a Deus que toque no coração dos jovens para que procurem preservar a vida, pois são egoístas quando pensam que a vida é só deles. A vida de cada um é a extensão da família. Suas escolhas podem gerar muita dor e sofrimento”.

Jovens e suas motos lideram as indenizações por invalidez e mortes pagas pelo DPVAT. Os familiares não aparecem nas estatísticas mas como observou a tia da jovem, pagam um preço incomensurável medido em dor.

Por fim, Amanda tinha média de 15 mil visualizações por vídeo. O último já superou 800 mil. O Youtube continua postando os anúncios no canal. Afinal, a empresa controlada pelo Google não tem compromisso com a preservação da vida. Mantém e veicula vídeos de youtubers cometendo crimes de trânsito todos os dias.

Em 15 de novembro celebramos o Dia Mundial das Vítimas de Trânsito. Segundo a ONU são mais de 1,3 milhão de mortos por ano. Números idênticos a pandemia que vivemos. Mas temos também 50 milhões de feridos, milhões de inválidos.

Amanda agora faz parte das estatísticas das mortes e sua família da estatística da dor. Que sua partida sirva ao menos para salvar outros jovens que podem aprender com a partida dela e entender que no cemitério não tem adrenalina.

Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas

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