Quando ministro dos Transportes Renan Filho fez mudanças polêmicas e eleitoreiras que colocam vidas em risco e contribuem para o impasse no Congresso

A Câmara dos Deputados adiou para 2 de setembro a votação de ampla reforma do CTB. As alterações realizadas pelo então ministro dos Transportes , Renan Filho, sem fundamentação técnica necessária, criou um impasse e coloca vidas em risco.

A comissão especial analisa o PL 8.085/2014 e outras 270 propostas apensadas, mas a quarta versão do parecer do relator, deputado Aureo Ribeiro, ainda não conseguiu apoio suficiente entre os partidos.

O principal impasse envolve as mudanças recentes nas regras para obtenção da CNH. Desde dezembro de 2025, o curso teórico em autoescola deixou de ser obrigatório, podendo ser feito gratuitamente e on-line pelo aplicativo “CNH do Brasil”.

Além disso, a carga mínima obrigatória de aulas práticas caiu de 20 para apenas 2 horas, e o candidato pode ter aulas com instrutor autônomo credenciado e, em determinadas condições, usar o próprio veículo.

Continuam obrigatórios presencialmente a biometria, os exames médico e psicológico, as provas teórica e prática, além do exame toxicológico para primeia habilitação e para categorias C, D  e E.

ALTERAÇÕES POLÊMICAS

Há preocupação de que a flexibilização possa provocar o fechamento de autoescolas e clínicas credenciadas, além de questionamentos sobre possíveis efeitos na segurança do trânsito.

A deputada Laura Carneiro, por exemplo, defende que o texto se concentre na regulamentação das autoescolas e deixe de fora temas mais controversos, como a possibilidade de reduzir para 16 anos a idade mínima para dirigir.

Também há críticas às condições impostas às clínicas responsáveis pelos exames médicos e psicológicos. Já o deputado Fausto Pinato sugeriu uma solução mais radical: suspender as atuais regras do Contran por meio de um decreto legislativo até que o Congresso conclua a reforma do Código de Trânsito.

Para o Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, as alterações do governo na formação dos condutores e obtenção da CNH ou sua renovação, foram feitas sem critério, colocando em risco a segurança viária.

Isto propiciou a discussão sobre mais de 270 propostas de alteração do Código de Trânsito Brasileiro. “Abriram a porteira e agora o Congresso tem um balaio de gato e ninguém se entende. Entretanto, as consequências da irresponsabilidade do governo, com medidas populistas e eleitoreiras, criou um cenário assustador que será medido em mais mortos na pista, além de inválidos e feridos nos hospitais.”

Em resumo: a votação não foi adiada por uma questão meramente burocrática. Não há consenso político sobre o modelo de formação dos novos motoristas e vários outros pontos.

Até setembro, o relator pretende negociar individualmente com os partidos para tentar produzir um texto que consiga maioria. Como 2026 é ano eleitoral, ele próprio reconheceu que o calendário político pode dificultar o acordo.

Fonte: Agência Câmara e Estradas.com.br

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